Estratégia

Técnicas ágeis podem tornar o RH mais produtivo?

Muito mais que uma metodologia, a agilidade é uma cultura, uma nova forma de pensar e agir. Por conta disso, não basta somente aplicar um ou outro método ágil para conseguir obter os resultados prometidos, deve-se de fato encarar uma mudança de mindset, incentivar a área e a organização a respirar novos conceitos e quebrar paradigmas.

Antes de mais nada, devemos desmitificar o conceito de que agilidade é somente para a área de desenvolvimento de software. Algumas técnicas realmente fazem mais sentido para este processo, porém, agilidade é uma filosofia, além de somente técnicas.

Apesar do atual Manifesto Ágil direcionar seus valores e princípios para o desenvolvimento de software, é nítida a sua evolução para uma abordagem mais cultural, independentemente da atividade, permitindo a aplicação em praticamente qualquer área da organização, principalmente no RH.

Nossa maior prioridade é satisfazer o cliente, através de entregas de valor adiantadas e contínuas. — Manifesto Ágil

Este talvez seja o princípio mais importante do manifesto e a base para entender a essência da metodologia ágil. Em outras palavras, podemos dizer que Agile significa fazer entregas rápidas e de valor para os clientes.

Hoje em dia vemos muitos conceitos se misturando e fazendo sentido para mais de um método, como é o caso dos três pilares do Scrum — uma das metodologias ágeis mais utilizadas: transparência, inspeção e adaptação.

O Scrum, além dos três pilares, também nos ensina que a aplicação de um método ágil deve se dar de forma empírica, buscando sempre executar, errar, aprender e melhorar a cada ciclo, sem esperar pelo resultado excelente logo no primeiro momento. O importante é conhecer os princípios e iniciar. A excelência virá com a prática.

Outro método muito utilizado e fácil para iniciar é o Kanban, que “combina a quantidade do trabalho em andamento (WIP) com a capacidade da equipe e proporciona um planejamento mais flexível, saída mais rápida, foco mais claro e transparência ao longo do ciclo de entregas”.

Por isso, é importante pesquisar e entender qual é o melhor método para cada área e processo da organização.

Mas afinal, como técnicas ágeis podem tornar o RH mais produtivo?

Como cito em meu artigo Os mitos que sustentam a ignorância ágil, agilidade não significa somente fazer mais rápido, mas sim evitar o desperdício de fazer mais do que o necessário.

É assim que se torna possível ganhar produtividade em qualquer área da empresa, identificando e eliminando, em cada processo, a redundância de informação e o excesso de burocracia motivado pela falta de confiança.

Além disso, é necessário gerenciar o fluxo e manter uma dinâmica de transparência, inspeção e adaptação a cada ciclo, buscando um processo de melhoria contínua, como orienta o Scrum.

Expondo a Ferida

A maior dificuldade para colocar isso em prática é a pesada rotina do RH, onde todos são consumidos diariamente pela operação e não encontram tempo para respirar, refletir e evoluir. A melhoria contínua é praticamente anulada pelas atividades do dia a dia. E práticas inovadoras ficam dependentes de iniciativas isoladas dos heróis incomodados e inconformados.

Isso cria um problema cíclico, onde não há tempo para melhorar os processos por causa da rotina, que justamente é pesada por não haver um momento de inspeção para identificar os pontos de melhoria e espaço para adaptar o que deve ser feito diferente.

O RH atua para satisfazer as pessoas — seus “clientes”, os gestores e demais colaboradores da empresa. Está constantemente buscando tecnologia para melhor atender suas necessidades, ferramentas inovadoras, com o objetivo de ganhar mais produtividade. Porém, esquece muitas vezes de prestar atenção aos seus processos. Pouco adianta ferramentas atuais com processos antigos e, o pior de tudo, é tentar forçar essa adaptação.

Atualize seus processos, assim como a tecnologia que utiliza, para conseguir aproveitar melhor o tempo e reverter esse trabalho em resultado para a empresa, além de satisfazer as pessoas.

O Novo RH

O Novo RH precisa ter sua atuação cada vez mais focada na estratégia da empresa ao invés de ser somente uma área operacional, responsável pelo cumprimento da legislação trabalhista e afundada em processos.

Além disso, precisa adaptar-se para conduzir a sua própria transformação digital e apoiar as demais áreas, pensar estrategicamente para contribuir com o futuro da organização e em quais competências serão necessárias para atingir esse objetivo. E outro aspecto importante que deve ser considerado é a experiência do colaborador, que se torna cliente da marca e patrocinador das mudanças no processo de evolução do modelo de gestão.

Com base nessa abordagem, que tal criarmos o Manifesto Ágil do RH, para orientar as ações e alinhar o propósito da área?

Para isso, foque em:

– Estratégia em vez de apenas atividades operacionais

– Visão de longo prazo no lugar de somente tarefas diárias

– Transformação digital em vez de processos manuais

– Experiência do colaborador além do apenas cumprimento da legislação

Como dito antes, o Novo RH precisa aproveitar melhor o seu tempo para de fato contribuir com o resultado da empresa, e é aqui que técnicas ágeis podem ajudar.

Por Fábio Jascone, coordenador de Sistemas na Senior.

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