Desenvolvimento

Certificação internacional

Recente pesquisa realizada pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, organização sem fins lucrativos ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, mostra que, além de ampliar os conhecimentos de maneira sólida e estratégica, um mestrado pode levar um profissional brasileiro a ganhar quatro vezes mais do que a média de trabalhadores do país.

Mas o que tem mais peso na carreira: uma certificação internacional ou nacional? Segundo Edgar Cornacchione, professor da Fipecafi e da FEA/USP, atualmente há cursos ótimos no Brasil, como também há cursos ruins fora. Ele ressalta, porém, que, quando se trata de um curso internacional, abre-se um leque de coisas que podem valer a pena, e ele está focando não na questão da qualidade, mas sim na do desenvolvimento de outras competências que podem estar atreladas a esse investimento na carreira – como jogo de cintura, planejamento, convivência com a diversidade –, comprovações de que pode ser um expatriado de sucesso. Ou seja, para um empregador, a certificação profissional pode contar mais por esses quesitos do que simplesmente por ela ter sido feita no exterior. “Tem muitas coisas penduradas na certificação internacional que vão além da certificação. E isso tem um valor. Sem falar no aprendizado de um novo idioma, que é cada vez mais valorizado no Brasil”, explica.

Soraya Salomão, coach de resultados, diz que alguns estudos mostram ainda que hoje um mestrado internacional tem muito mais peso que MBA e pós-graduação, isso pela dificuldade de ingresso. Além de todas as questões tradicionais – recomendações, prova de língua, prova, entrevistas –, o internacional mostra o grau de dedicação que aquele profissional teve para chegar ali, já que é mais concorrido.

Mesmo assim, ela não consegue afirmar qual o melhor curso, internacional ou nacional, pois diz que isso vai depender de cada profissional analisar o seu objetivo com o curso – por exemplo, se a ideia for fazer um concurso público, fazer um mestrado no Brasil traz mais chances de esse curso ser validado no país. “O mestrado é o melhor investimento atualmente, mas, para maximizar o resultado dele, tem que analisar diversos fatores. É preciso mensurar o que se quer, para não se frustrar.”

Nesse sentido, Soraya sugere, inclusive, que se avalie a trajetória de profissionais de sucesso da sua área de atuação, para que sirva como inspiração.

Em contrapartida, se pensarmos apenas na qualificação técnica do mestrado, Cornacchione enfatiza que atualmente, no Brasil, os currículos e programas oferecidos pelas universidade estão no mesmo nível dos oferecidos no exterior. Por isso, o critério para decidir onde estudar tem de estar baseado em outras premissas. “O conteúdo é acessível a todos”, ressalta o professor, que explica que o planejamento de cada profissional é o que deve determinar onde ele fará o curso.

Para Cornacchione, a escolha de uma certificação internacional ou nacional deve estar baseada principalmente no alinhamento de perfil e expectativas. “Se a pessoa sabe que tem um curso bacana na Itália, por exemplo, mas não tem vontade de viver naquele país ou não tem apreço pela cultura daquele lugar, não vale a pena fazer. Existem fatores simples que devem ser avaliados, como o ciclo da vida desse indivíduo. Tudo isso se soma no processo de decisão, que vai interferir no peso final. Não podemos deixar de avaliar isso. E muita gente cai nesse mesmo erro”, diz.

Nesse sentido, o professor explica que é preciso entender quão internacional é o programa para onde se está indo ou quão estereotipada ou marginalizada a pessoa estará. “Às vezes as pessoas não fazem essa pergunta. Ao conversar com o entrevistador, elas, em geral, perguntam algo que poderiam adquirir em outros meios, perdendo a oportunidade de questionar: quem serão meus pares? O que eu posso esperar desse curso? Quem são meus professores de fato? Quais as empresas com as quais tenho a chance de interagir? Às vezes as pessoas se concentram muito no técnico, que tem um peso, é claro, mas não é o mais significativo. Se você analisar os programas dessas universidades de ponta, o nível de disparidade de currículo não é muito grande. Muitas universidades oferecem conteúdo de qualidade, não é aí que está a diferença.”

Certificação internacional no Brasil

Karla Alcides, diretora do MBA executivo da University of Pittsburgh para o Brasil e América do Sul, diz que é possível fazer um mestrado internacional sem ficar meses fora do país. Isso por meio das parcerias que existem entre universidades. Ela conta que as pessoas que buscam os mestrados da Pittsburgh são executivos brasileiros mais seniores em busca de benchmarking internacional, uma visão para aprimorar seu estilo de gestão, desenvolver equipes, pensar de outra maneira. “Aqui o executivo pode continuar desenvolvendo suas funções e ter uma certificação internacional sem se ausentar por período longo. O curso tem duração de 18 meses, e em cinco dias por mês há aulas, de quarta a domingo, no período integral. Todo o processo de seleção é feito na metodologia americana, inclusive teste em inglês, pois todo o programa é feito nessa língua.”

O diferencial de um curso nesses moldes é a visão internacional, possibilitando ao executivo uma conexão com o mundo global, referências e inspirações fora do país. “Embora muita gente tenha acesso a algumas informações, a diferença é vivenciar isso, porque os profissionais no Brasil também se reúnem com profissionais que estudam em Pittsburgh, e há quatro encontros globais em que viajam para cá, para lá e para a Ásia”, diz ela.

Renata Nogueira, coordenadora-geral de Educação Executiva do Ibmec/RJ, ressalta que a internacionalização é um diferencial para o executivo, pois atualiza em relação a questões globais. Ela diz que, além da questão acadêmica e de professores, a maior vantagem é fazer o networking acontecer. “Temos as jornadas internacionais e parcerias, em que é possível o profissional começar o MBA aqui e terminar lá fora ou optar por ficar alguns dias alocado em uma universidade em outro país, como China e EUA, uma opção que é bem interessante para o aluno, em termos de agenda.”

Karla explica também que, nas posições em que as pessoas têm reports internacionais ou desejam trabalhar com grupos globais, a credencial internacional traz uma chancela maior. “Além disso, mostra que o executivo saiu da zona de conforto, estudou num idioma que não é o dele. Para quem está buscando uma carreira internacional, ter um certificado internacional faz sentido. E hoje isso é mais acessível, pois existem excelentes programas locais que dão essa credencial”, explica.

Mas ela ressalta: “A decisão de onde e que tipo de investimento acadêmico se vai fazer prioritariamente passa por aonde se quer ir. A certificação internacional não é para todos, depende do que se quer e tem que estar alinhada a um objetivo futuro. Por isso, independentemente de qual certificação você escolher, faça o seu melhor”.

 

Comentários

comentários

Comente aqui!

Qual sua opinião?

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Desde 1998 p&n é uma plataforma de conteúdos referência em Gestão de Pessoas e mundo do trabalho. Tanto nas versões web e impressa, com sua linha editorial independente, é focada na melhor entrega de informações e serviços para os profissionais de RH.

curte com a gente!

© 2017 Revista Profissional & Negócios. By Rockbuzz | Estratégia Digital

TOP
Web Analytics