Ética

Código de ética previne crise de imagem?

O código de ética sempre foi considerado uma ferramenta capaz de orientar e atuar na prevenção de crises de imagem. Mas, o atual momento vivido no país, formado por uma sucessão de escândalos de corrupção, tem levado empresas a questionar se o código de ética é o melhor instrumento para orientar os valores de conduta e prevenir fraudes corporativas.

Quando crises de imagem de grandes empresas, como as enfrentadas pela Odebercht e pela JBS, após denúncias da operação Lava Jato, passam a figurar no cenário nacional, o tema código de ética volta a ser pauta no dia-a-dia das organizações; em busca pela compreensão da sua efetividade. Afinal, na maioria das vezes, as crises enfrentadas estão diretamente ligadas a condutas negativas que comprometem a reputação.

Código de ética, compliance e a reputação

Reputação é um dos ativos mais valiosos que uma empresa tem, e um dos pilares está centrado nas pessoas que integram a sua equipe. Um código de ética criado de forma transversal, desalinhado das práticas corporativas e arquivado em um biblioteca não é capaz de orientar e guiar a conduta de pessoas formadas por culturas e histórias de vidas diversas.

Essa situação de descompasso entre cultura, valores e a falta de regras de compliance, se reflete claramente na imagem que as pessoas que integram estas organizações fazem dela. Os funcionários dessas empresas [indiciadas na Lava jato] começam a “esconder o crachá”.

Ao perceberem o quanto estão suscetíveis à corrupção, as empresas passam a enxergar a necessidade de falar sobre ética com seus funcionários e a reafirmar seus valores para que incorporem os princípios que regem a organização.

É nesta hora que o compliance ganha força nas empresas, pois atua no âmbito de imagem e reputação, levando em consideração os riscos. Seja de forma espontânea, forçada pela legislação ou por novas normas de mercado e pressão da sociedade, um número cada vez maior de empresas passou a adotar um conjunto de mecanismos que incluem governança corporativa e ferramentas – como gestão de riscos, para evitar comprometer sua reputação.

Prevenção da crise de imagem vai além do Código de ética

A nossa experiência em combater fraudes corporativas nos mostrou que para prevenir uma crise de imagem não basta ter um código de ética. Para orientar a sua jornada é preciso que a empresa:

– Discuta o código de ética e faça os valores estarem presentes no dia-a-dia das pessoas;

– Desenvolva um programa efetivo de compliance;

– Adote ferramentas adequadas para conhecer melhor as pessoas, como o Teste de Integridade,  e entenda qual seria seu comportamento, mediante situações suscetíveis a fraude.

A adoção de um código de ética é apenas um passo da jornada de uma organização da prevenção de crise de imagem. Essa deve ser uma bandeira presente constantemente nas reflexões das decisões estratégicas das empresas.

Por Renato Almeida dos Santos, sócio da S2 Consultoria, coordenador do MBA em Gestão de Riscos e Compliance da Trevisan Escola de Negócios e autor do livro “Compliance mitigando fraudes corporativas”.

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