Diversidade e Inclusão

Cultura de Paz: por organizações mais produtivas, inovadoras e sustentáveis

Cultura de paz: organizações mais produtivas
Cultura de Paz: Organizações mais produtivas, inovadoras e sustentáveis

Compor a diversidade de talentos e inovar; trabalhar em equipe de forma ética e colaborativa; resolver conflitos por meio do diálogo e da empatia; desenvolver competências como a negociação, a comunicação não violenta e a resiliência são alguns dos diferenciais competitivos das organizações capazes de lidar com a complexidade do ser humano e dos desafios da contemporaneidade.

Para adaptar-se a um mundo dinâmico, repleto de incertezas, com mercados instáveis que demandam por rapidez e praticidade na tomada de decisões, com equipes diversificadas, às vezes, distantes fisicamente umas das outras, é preciso transformar a maneira de enxergar e se posicionar no mundo, favorecendo um clima organizacional catalisador de boas ideias e excelentes relações humanas.

A implementação de uma cultura como essa requer a participação de toda a organização, em que cada indivíduo é corresponsável pelos resultados do todo, de um sistema que é vivo. Conceitos, valores e práticas de cultura de paz e não violência, fomentados globalmente pela Unesco, vêm se mostrando eficazes no incentivo a uma convivência em que a interdependência inclui a todos como interlocutores necessários à inovação e à melhoria da qualidade da entrega dos serviços de uma organização.

Em especial, as áreas de Recursos Humanos têm papel fundamental no acesso a metodologias que permitem aos indivíduos lidar melhor consigo mesmos e equacionar a multiplicidade de informações e estímulos, em que cada vez mais vozes são chamadas a protagonizar com a saúde emocional, mental e criativa. Se cada ser humano é único e traz consigo uma bagagem imensa de significados, é inevitável a presença dos conflitos. E, se pensarmos claramente, não existe inovação sem conflito. Portanto, não ter os recursos para transformá-los em oportunidade de aprendizagem pode levar à sensação de impotência, apatia e até mesmo a situações de violência em suas diversas formas.

Refletir sobre o paradigma da complexidade, apresentado pelo filósofo francês Edgar Morin, por exemplo, tem sido essencial para uma interpretação mais adequada dos problemas que se apresentam. Ele evita exageros, imediatismos, comparações equivocadas e distorções, favorecendo uma compreensão mais realista e menos linear, adequada ao mundo em que vivemos. É ela que traz a percepção de que estamos interconectados, que pertencemos a uma mesma organização e que soluções individuais e fragmentadas já não cabem mais em um plano de ação, seja para qual for a sua finalidade. A importância da diversidade de perspectivas torna-se intrínseca, mobilizando uma curiosidade e uma disposição genuína de ouvir todos os lados, mapear todas as variáveis e, coletivamente, compor um caminho que seja mais adequado para todos. Não querer enxergar uma única parte pode comprometer o todo e reduzir as chances de sucesso.

Ao abrir espaço para o diálogo, é possível conhecer mais profundamente os valores, os pressupostos e as competências das equipes. Um líder que não percebe seus funcionários, suas emoções, necessidades e talentos certamente perde grandes oportunidades de melhorar os resultados da empresa.

Estrategicamente, um líder consciente sabe que nenhuma equipe será capaz de chegar a um plano de ação para um conflito, desafio ou complexidade se não houver antes uma preparação para o diálogo e um acordo de convivência para o cotidiano de trabalho. O psicólogo americano Marshall Rosenberg apresenta uma abordagem clara e empática que ajuda a exercitar uma conexão genuína entre as pessoas e abre espaço para o respeito e a expressão dos afetos, no sentido de como nos afetamos mutuamente. É a Comunicação Não Violenta (CNV) uma estrutura que ganha atenção das lideranças por ser eficiente em um dos momentos mais importantes da gestão de equipe: o feedback.

Essa consciência permite que as equipes se respeitem, oferecendo feedbacks contínuos até que encontrem o ponto certo de sintonia e produtividade. Cabe ao líder oferecer desafios tangíveis, reconhecendo e elogiando cada passo dado, pois a mobilização do outro depende da empatia e do encorajamento oferecidos pelo gestor, evitando os obstáculos que impedem a possível inovação e a sustentabilidade de um negócio e, por que não, da própria vida em sociedade.

Por Andrea Nunes, coordenadora do Programa Senac de Cultura de Paz.

Comentários

comentários

TOP
Web Analytics