Carreira

As dores e as delícias de ser um multitarefas

No último almoço de família me peguei intrigada com a forma que minha mãe cuidava de tudo e de todos. Enquanto ela fazia o arroz, me contava pequenas histórias da neta (minha filha), observava a massa no forno e pensava em qual travessa iria servir a sobremesa. Pensei: Nossa, a minha cabeça funciona exatamente assim! Não foi uma descoberta nem sobre minha mãe, nem sobre mim, mas me fez pensar nessa característica multitarefas que acabamos levando para diversas dimensões da nossa vida, como por exemplo o trabalho.

Eu sempre fiz tudo ao mesmo tempo. Enquanto escrevo esse artigo, estou com outro recém iniciado na página acima do meu Word. Essa facilidade ou talvez hábito de transitar entre uma demanda e outra sempre pareceu me ajudar tanto na carreira quanto na vida. Meu lema sempre foi “antes feito que perfeito.” E, quanto mais tarefas executadas, mais satisfação. Eu estava em paz com isso, porém há algum tempo comecei a questionar se eu colocava excelência no que estava fazendo ou se não poderia me doar mais. E, me entendam, estou falando sobre todos os tipos de atividades, desde cozinhar um jantar até fazer uma apresentação para o cliente.

Li muitos materiais exaltando a importância do foco, da concentração e de se fazer uma coisa de cada vez. Portanto, fiquei um pouco incomodada e confusa. Será que, por toda a minha vida, eu fiz errado? Será que, nessa ânsia de dar conta de muitas obrigações eu deixei de perseguir alguma vontade que resultou em um ser menos feliz e menos bem sucedido? Ou será que essa é uma característica que me ajudou a progredir?

Eu ainda sofro muito pra me concentrar em alguma tarefa por muito tempo. Esse artigo, por exemplo, teve muitas interrupções. Não foquei nele como principal atividade do momento, ele foi surgindo aos poucos, entre consultas às outras tabs do meu browser. Será que se eu tivesse me concentrado nele sem olhar para o lado, ele não seria muito mais popular, digno de um prêmio?

Por fim, o que decidi e tento exercitar, é escolher (muito bem) as atividades para as quais eu vou de fato me doar. Uma vez por mês posso me dedicar a fazer um almoço inesquecível para minha família com ingredientes escolhidos cuidadosamente e cujas dificuldades serão compensadas. Ou então posso passar um dia inteiro sem olhar meuse-mails e fazer um controle tão minucioso de rentabilidade dos nossos clientes que ganharia um bônus.

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Só escolha bem o que vale perseguir. Geralmente compensa.

Por Juliana Tonussi, diretora de operações da ID\TBWA

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