Carreira

Eles trocaram gigantes como Google e Intel por empresas pequenas, novas e totalmente desconhecidas. E não se arrependem

Foi-se o tempo em que o principal desejo de profissionais era a estabilidade e processos fechados, frequentemente encontrados em enormes corporações e o funcionalismo público. De fato, é crescente o número de pessoas interessadas em contestar, conquistar seu espaço e modificar as estruturas desses ambientes.

Na verdade, esse grupo se foca principalmente em compartilhar os propósitos do negócio em que atuam. Isso é o que mostra o estudo Carreira dos Sonhos 2017, realizado pela Cia de Talentos, referência em carreira e desenvolvimento. Segundo a pesquisa, 44% dos respondentes (mais de 100 mil estudantes, recém-formados, coordenadores, gerentes e presidentes da América Latina) têm essa vontade.

Como não poderia deixar de ser, essa realidade faz parte da rotina em milhares de empresas no Brasil. Uma delas, é a Vitta, empresa de prontuário eletrônico na nuvem. Alguns profissionais da empresa trocaram posições em grandes companhias em busca da construção de um novo momento em suas carreiras.

Thiago Rodrigues, formado em engenharia civil, mas bom vendedor, sempre trabalhou na área comercial. Em 2014, passou a prestar serviços para a empresa dos sonhos de muitos, o Google. Trabalhou durante 2 anos e meio locado na sede da companhia em São Paulo. Na área de vendas, buscava grandes investidores a fim de aumentar a representatividade dos anúncios na companhia.

“Foi fantástico. Aprendi muito e conheci pessoas inspiradoras. Porém, meu desejo era seguir pelo caminho do empreendedorismo. Quando você trabalha em uma empresa grande, se limita a determinada área ou objetivos pontuais. Tudo é extremamente fechado, pois os processos são redondos. Queria algo em que eu pudesse me arriscar mais”, afirma.

Com esse mindset, pesquisou cursos e se aproximou do Sebrae, focado em aprender sobre a construção de modelos de negócios, pitches e investimentos. Nesse momento, conheceu a Vitta. “O time era legal e a ideia promissora. O escritório era pequeno e não tínhamos nem lata de lixo! Sem treinamentos ou ferramentas específicas, só o aprendizado… E ver hoje, em pouco tempo, o estágio em que estamos. Somos mais de 100 colaboradores!”, conclui.

A vontade de não ser mais um foi o que motivou Matheus Gait a trocar a Intel pela Vitta. Na multinacional, atuava com marketing em varejo. “Fiquei lá por um ano. Foi muito bom conhecer o funcionamento de uma organização desse porte, mas estava certo que queria apostar em uma empresa jovem. Esse ano, fui almoçar com um amigo que estava trabalhando na Vitta e me falou da cultura, valores e propósitos. Não tive dúvidas e resolvi ir atrás. Estou aqui há quatro meses”, destaca.

“Em uma grande corporação mundial que fatura R$15 bilhões por bimestre, ainda que eu fosse o melhor no Brasil, um destaque absurdo, teria impactado a empresa de forma mínima. Quero um lugar em que eu não seja só mais uma peça, em que me desenvolva verdadeiramente e tenha autonomia e independência para tomada de decisões. E aqui eu tenho isso”, ressalta.

Muitas são as razões que fazem os olhos de Rafael Lauand brilharem quando fala de empresas jovens. Formado em engenharia de produção, escolheu o curso principalmente por pressão familiar, mas encontrou no curso o viés econômico que buscava em sua carreira. Após alguns estágios voltados ao mercado financeiro em sua cidade natal, Curitiba, veio a São Paulo para ser trainee do Itaú BBA.

“Fiquei frustrado, pois o ambiente era pouco colaborativo e o trabalho não agregava muito valor. Queria mudar e trabalhar com algo diferente. Apostei  na Easy Taxi, trabalhando principalmente em sua expansão internacional. Pouco tempo depois, fui convidado pela Vá de Táxi, que estava em um movimento de fusão, ainda não anunciado, com a TáxiJá, para ser COO. Foi a primeira vez que trabalhei operacionalmente com uma fusão e acabei sendo promovido a CEO quando meu antecessor saiu”, revela. Durante sua gestão, a empresa saltou de 5 mil para 150 mil corridas em um ano.

Por conta de divergências com relação aos rumos da startup, que seguia o modelo de corporate venture, sendo investida pela Porto Seguro, resolveu apostar no iFood atuando como Head de Business Development. E nesse período conheceu os fundadores da Vitta em um jantar. Após algumas conversas e trocas de ideias sobre o mercado, aceitou o convite para se tornar CFO.

“O mindset em empresas menores é o de resolução de problemas. Fazer mais com menos, automatizar, investir em softwares é o que torna esse ambiente realmente dinâmico. E, para conseguir velocidade, é preciso de autonomia. Somos expostos a uma gama muito maior de problemas do que em uma grande corporação”, pontua.

E o que profissionais podem extrair em uma empresa jovem? Lauand elenca uma série de pontos: “Você aprende a se virar mais, ser tenaz e ganha resiliência, algo realmente importante ao profissional do futuro. E a velocidade de aprendizado é o que me faz estar aqui e não me deixa ir embora. Considero como um catalisador muito maior para o meu crescimento individual do que em uma empresa grande. O que faz com que cada pessoa tenha esse crescimento acelerado e vira um verdadeiro efeito cascata de aprendizado. E é isso que quero na minha carreira”, finaliza.

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