Estratégia

Em busca da humanidade perdida

Existem pessoas formidáveis, seres humanos extraordinários que não precisam estar associados a uma empresa ou negócio para ser ou se sentir “alguém”. No entanto, a tendência é a associação entre pessoa, profissional e negócio. Assim, o lado pessoal parece se dissolver, caso não seja possível ligar a individualidade ao mundo corporativo. Daí a angústia que muitos sofrem quando perdem sua identidade profissional.

Sem o crachá, onde fica o indivíduo? A área da empresa que cuida das pessoas, não por acaso, chama-se “Recursos Humanos”. Essa reflexão veio depois de assistir a um documentário muito emocionante.  “Humano – Uma Viagem Pela Vida” (out. 2016), é um filme que expõe a complexidade e a diversidade do ser humano. O diretor francês Yann Arthus-Bertrand entrevista mais de 2 mil pessoas tentando entender o que nos une e nos separa. São tantas histórias e é impossível não se identificar. Seja quando falam sobre felicidade, amor ou desigualdade, somos convidados a pensar que aquilo que nos sobra, muitas vezes, é exatamente o que falta para tantas outras pessoas.

Por essas e outras razões, no mundo dos negócios, tem contado cada vez mais saber lidar com o nosso lado humano. Segundo o psiquiatra e escritor Augusto Cury, o que se vê são muitos líderes e empresários com enorme capacidade para dirigir empresas, cidades, nações, mas com grande dificuldade de filtrar estímulos estressantes.  Nada pior para um gestor do que ter de conviver com o “pesadelo” de ter impedido o crescimento de alguém, por conta de uma decisão intempestiva,  gerada pela limitada autopercepção – um dos pilares da inteligência emocional.

Zygmunt Bauman, um dos maiores pensadores da modernidade, em seu livro “Babel”, diz que nada parece estar mais em seu lugar no mundo. Estamos vivendo em mar aberto, carregados por uma onda contínua, sem ponto fixo e sem instrumentos para medir a distância e a direção da viagem. “Vivemos entre o que não é mais e o que virá a ser”, afirma Bauman.

Desta forma, os novos tempos pedem maior atenção e lucidez para leitura das angústias dos colaboradores que vivem com medo de perder o “crachá”.  Uma outra questão que merece vigilância é a reeducação das novas gerações na relação com o trabalho, de modo que ele seja visto como fonte de realização e não apenas de sobrevivência. Quando esse vínculo essencial não existe, torna-se frágil.

As expectativas do mundo corporativo nos revelam a vida como ela é. A entrega de resultados continua e continuará sendo a regra do jogo para os principais indicadores de negócios: vendas, produtividade, etc. Uma das metas a vencer, diante das tensões mundiais e da fragilidade econômica, é (re)aprender a usar nossos “recursos humanos” internos – ou a nossa humanidade –que nos levará a cruzar a fronteira para o sentido maior:  o sentido de equipe.

O cenário atual demanda um “estender a mão”, em postura de acolhimento, revertendo, em favor do próximo, ações que envolvem solidariedade, proteção e fraternidade. Infelizmente, ainda vemos muito a humanidade dividida entre dois grupos: aqueles que (ainda) sabem estender a mão e os demais. Voltemos ao primeiro grupo, lembrando que, antes de tudo, somos todos simplesmente humanos.

Por Wilson Medeiros, palestrante nas áreas de vendas, motivação, gestão e liderança.

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