Cultura

A emergência de um novo modelo integral de se fazer negócios

Os desafios que vimos assistindo diariamente em nosso país e no mundo, não nos deixam dúvidas, pondero, sobre a exaustão dos modelos tradicionais de se gerir as empresas e de se governar as cidades.

Velhas fórmulas para uma profusão de novos e complexos desafios, evidenciam uma crônica crise de esquizofrenia gerencial, como se a repetição de modelos ultrapassados fosse suficiente para equacionar novos dilemas, em um contexto que grita por mais respeito aos indivíduos, por todos os seres vivos, pela natureza, por práticas éticas e de inclusão social.

Felizmente a inércia da vida é pela evolução, pela renovação e, nesse contexto, emerge uma nova mentalidade de líderes com visão integral, que são adeptos de uma visão de mundo mais inclusiva, que entendem ser viável uma nova genética econômica, que redefine o conceito de como os negócios são geridos.  São líderes de empresas que conciliam o lucro com a geração de impacto positivo no mundo, privilegiando a ética como o fio condutor na forma de se agir. Tais organizações têm crescido de forma vertiginosa no mundo. São as denominadas B Corporations, ou empresas do sistema B.

Tenho refletido, em meus artigos, sobre a necessidade imperiosa de a função de Gestão de Pessoas, assumir um papel cada vez mais protagonista nesta jornada de renovação, de apropriar-se do seu legítimo espaço organizacional, para liderar um movimento de transformação, sob pena, de não o fazendo, de perder definitivamente a sua relevância e desaparecer do novo mundo do trabalho.

Como pondera Marcelo Cardoso, “estamos vivenciando, como humanidade, uma grande transição, provavelmente muito maior do que a própria revolução industrial, e esta significativa mudança implica inevitavelmente em mudanças profundas no modo como as organizações funcionam e orientam-se.”

Há uma histórica janela de oportunidade de a função de Gestão de Pessoas assumir a liderança dos debates estratégicos nas organizações sobre princípios,  missão, identidade, na busca de um propósito empresarial compatível com a realidade social que já emergiu, um propósito que transcende a geração de empregos, de renda e da maximização de valor para os acionistas e investidores.

Uma rara oportunidade para novos Integral B Leaders em Gestão de Pessoas.

Por Américo Figueiredo, executivo de RH, Docente em Gestão de Pessoas e articulista da Profissional & Negócios.

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