Estratégia

Empresa global de engenharia aumenta número de mulheres na liderança com investimento em programa de diversidade

Inovação é um dos valores da TE Connectivity, empresa global de engenharia que desenvolve soluções e componentes para aplicações elétricas e eletrônicas. Mas, para estar sempre a frente, oferecendo o que há de mais moderno, é importante contar com uma equipe com diferentes pontos de vista. Pensando nisso, a companhia decidiu transformar seus estereótipos buscando um treinamento de diversidade com o objetivo de incluir mais mulheres em cargos de liderança. Para alcançar esse propósito, a TE contou com a expertise da CKZ Consultoria em Diversidade, que apoia as corporações com treinamentos e programas de diversidade para torná-las mais responsáveis e sustentáveis.

A ideia de aumentar o número de mulheres na empresa partiu da observação de que elas não estavam incluídas na corporação, principalmente em posições de liderança. Por estar inserida na área de engenharia, a TE tem, em sua maioria, homens brancos em seu quadro de colaboradores e, anteriormente, não contava ao menos com pessoas do sexo feminino em seus processos seletivos, e, quando tinha, era nítido como elas precisavam provar ainda mais a sua capacidade.

No Brasil, a área de engenharia é uma das que mais tem preconceito de gênero e o impacto do viés inconsciente ainda é um grande desafio. Embora o número de mulheres que ingressam em cursos de engenharia venha aumentando, cerca de 133% entre 2003 e 2013, segundo estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) para a Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), ainda assim os números de registros por gênero mostram a predominância masculina na área: 86% dos engenheiros do país são homens contra 14% de mulheres, de acordo com o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea).

Caminho para a diversidade

Buscando solucionar essa dificuldade, após a participação em um conselho para debater sobre iniciativas globais de diversidade, a TE Brasil, criou, no ano passado, grupos de afinidade compostos por pessoas com perfil de liderança para avançar ainda mais com esse debate dentro da corporação. Entre as ideias das equipes, surgiu do grupo de mulheres, que conta com cerca de 50 participantes, a iniciativa de mentoring, cujo objetivo era treinar os líderes homens para serem mentores dessa disseminação da diversidade de gênero dentro da empresa.

“Quando a ideia surgiu, começamos a buscar caminhos para concretizar esse trabalho. Fizemos um benchmarking com outros grupos e corporações, mas descobrimos que não havia nenhum programa com uma formação robusta neste sentido. Foi quando começamos a procurar no mercado e chegamos a CKZ por indicação de mulheres que já haviam participado do ‘Fórum Mulheres em Destaque’, evento idealizado pela Consultoria”, comenta Agnes Pelizer, gerente sênior de RH para América do Sul da TE Connectivity.

Assim, a empresa focada em diversidade foi responsável pelo projeto de consultoria e treinamento dos líderes da TE. “Trabalhamos com eles os estereótipos, preconceitos, vieses inconscientes e o impacto disso na corporação”, explica Cris Kerr, CEO da CKZ Consultoria em Diversidade.

Foram realizados três encontros mensais, um de quatro horas e outros dois de oito horas. Neles, os valores da empresa foram trabalhados em conjunto com discussões sobre diversidade. “Nós trabalhamos não somente os pilares tradicionais da diversidade (gênero, raça, LGBT e PCDs), mas também a diversidade de talentos, pensamentos e vivência, além de focarmos na desconstrução dos preconceitos”, conta Cris Kerr.

Após o treinamento, o feedback dos executivos não poderia ter sido mais positivo: “Todos nós percebemos o quanto temos esses vieses inconscientes. Isso mostra como o preconceito está atrelado a nossa cultura e como podemos nos desfazer dele, o que nos ajuda a evoluir como profissionais e como pessoas”, destaca Daniel Malufi, general manager da TE Connectivity.

Mais mulheres na liderança

Segundo Daniel Malufi, de todos os líderes da empresa, 90% participaram e realmente estavam interessados no conteúdo do treinamento. As mudanças geradas foram percebidas não somente no âmbito profissional, mas também no pessoal. “Isso mexeu muito com todos os envolvidos. Eles levaram o conceito não só como um treinamento corporativo, mas também para a vida, dentro e fora de casa. Gerou uma grande reflexão sobre como temos que mudar nossos valores pessoais”, declara Malufi.

Hoje, entre gerentes e diretores, a empresa conta com 20 pessoas, sendo quatro mulheres. Há três anos, não havia nenhuma mulher nestes cargos de liderança. Além disso, a fábrica, área ainda mais masculina, agora também tem uma coordenadora de produção. E entre os mil funcionários da empresa no Brasil, atualmente 36% são do sexo feminino. Outra conquista após o programa foi o engajamento e a percepção sobre a inclusão e a diversidade dos colaboradores, que também mudaram dentro da empresa. Em pesquisa realizada recentemente, 88% dos funcionários da TE afirmaram que a empresa tem feito um bom trabalho na área de inclusão e diversidade.

“O que mais me impactou ao final desta consultoria foi o depoimento de um dos líderes, que disse se sentir agora um guardião da diversidade e que está se esforçando para mudar seu comportamento e seu modo de pensar, deixando de fazer piadas e brincadeiras preconceituosas e tentando ser um líder inclusivo e comprometido com a diversidade. Essa iniciativa gerou um grande impacto positivo para a empresa, pois acredito que é através da conscientização da alta liderança que a ideia vai se disseminando para todos os colaboradores”, comenta Cris Kerr.

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