Desenvolvimento

Estudo da OCDE evidencia que educação no Brasil tem investimento ruim e professor desvalorizado

Ainda que o investimento em educação no Brasil tenha triplicado nos últimos 20 anos, o relatório divulgado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, que compara dados educacionais de 45 países, aponta que ainda há sérios problemas com a nossa educação. Os números presentados pela OCDE no último dia 12 de setembro são do estudo “Um olhar sobre a educação”.

“Não investimos em educação o mesmo que em países mais desenvolvidos. Mas é similar ao investimento de países vizinhos, onde os resultados são melhores. Então, não se trata apenas de aumentar o investimento, mas também de aprimorar a maneira como aplicamos esse dinheiro para a educação em nosso país”, defende Fabio Silva, coordenador pedagógico do Ético Sistema de Ensino.

Aqui no Brasil, de acordo com o relatório, o investimento em alunos do Ensino Médio, por exemplo, é de US$ 3.870,00 ao ano (aproximadamente R$ 12.000,00), enquanto que nos países membros da OCDE esse valor é mais do que o dobro, US$ 10.180,00 (aproximadamente R$ 31.000,00). “Há uma disparidade muito grande e isso, naturalmente, tem seus efeitos”, avalia Silva.

Tanto que outro dado do relatório que chama a atenção é o número de alunos cursando o Ensino Médio. Nos países membros da OCDE esse número chega a 95%. Aqui, só 53%. “Por diferentes razões, muitos abandonam as escolas e raramente regressam, interrompendo o processo justamente quando estão próximos de decidir sobre o que pretendem para suas vidas”, lamenta o coordenador pedagógico.

Ao avaliar os números do relatório, a falta de valorização do professor no Brasil também é evidenciada. Por ano, os professores brasileiros recebem, em média, US$ 13.000,00 (aproximadamente R$ 40.000,00). Já para os professores dos países que integram a OCDE, o ganho anual é de US$ 30.000,00 (aproximadamente R$ 92.000,00).

“Para os professores que até tentam se dedicar à carreira, a baixa remuneração acaba se tornando um impeditivo para o próprio aperfeiçoamento. Um cenário que desperta cada vez menos interesse pela docência. Há regiões no país em que na falta de professores capacitados, contrata-se outros profissionais. Médicos, por exemplo, dando aula de Biologia, sem qualquer metodologia e didática ensinadas nos cursos de licenciatura”, conclui Silva.

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