Ética

Gestão de riscos: empresas brasileiras ainda engatinham

De acordo com a pesquisa sobre Comitês de Auditoria, realizada pelo ACI Institute em parceria com o Board Leadership Center da KPMG, apenas 9% dos Comitês de Auditoria no Brasil consideram o seu sistema de gerenciamento de riscos maduro e robusto. Globalmente, há um aumento no percentual, chegando a 38%. Este cenário se torna mais preocupante quando 42% informam que o sistema de gerenciamento de riscos existe, mas requer melhorias substanciais (48% no Brasil), 15% afirmam que ele ainda se encontra numa fase de implantação ou desenvolvimento (37% no Brasil) e para 5% o sistema não existe (6% no Brasil). O levantamento envolveu mais de 800 membros e coordenadores de comitês de auditoria e conselheiros de administração em 42 países pesquisados, incluindo o Brasil.

De modo geral, os comitês de auditoria mostraram-se satisfeitos com o espaço dedicado na pauta a temas como o compliance regulatório, monitoramento dos controles internos sobre divulgações financeiras ao mercado e as premissas que suportam as estimativas contábeis críticas das demonstrações financeiras. Entretanto, percebem a necessidade de dar maior atenção ao plano de sucessão do CFO—entre os respondentes brasileiros que citaram este como principal ponto de atenção, 100% informou estar insatisfeito com o peso dado ao tema nas discussões do comitê de auditoria. Outro item em destaque é o tone at the top e a cultura organizacional: globalmente, somente 23% estão satisfeitos com o foco dado ao assunto, enquanto no Brasil, 78% dizem estar insatisfeitos.

A pesquisa também constatou que 40% dos respondentes acreditam que o comitê de auditoria em que atuam seria mais efetivo a partir de um “melhor entendimento dos negócios e dos principais riscos envolvidos”. No Brasil, os participantes também citaram “maior disposição e capacidade para desafiar a gestão” (30%) e “conhecimento adicional relacionado à tecnologia” (25%).

“A responsabilidade do comitê de auditoria tem se tornado cada vez maior, especialmente quando consideramos a incerteza, volatilidade e complexidade do ambiente corporativo atual. Os resultados da pesquisa reforçam a importância das atribuições e prioridades fundamentais para os comitês de auditoria, começando pela construção de um sólido entendimento do negócio e dos principais riscos envolvidos”, analisa o sócio da KPMG e líder do ACI Institute no Brasil, Sidney Ito.

Destaques da pesquisa:

– O gerenciamento de riscos está entre as principais preocupações dos comitês de auditoria.

– A auditoria interna pode maximizar seu valor para a empresa focando em principais áreas de risco e na adequação dos processos de gerenciamento de riscos da empresa.

– Tone at the top, cultura e pressão por resultados de curto prazo são os principais desafios – e podem demandar maior atenção.

– O plano de sucessão do CFO e a composição/habilidades da área Financeira permanecem como pontos fracos.

– Dois assuntos podem demandar maior destaque na pauta do comitê de auditoria: a implementação de novas normas contábeis e as medições não financeiras.

– A efetividade do comitê de auditoria depende da compreensão do negócio.

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