Legado

“No futuro, será difícil distinguir o empregado do empregador”

Automação, impressão 3D, plataformas digitais e novas relações com as empresas estão mudando a natureza do trabalho. Compreender essas mudanças é fundamental para que executivos, líderes de negócios e empreendedores aproveitem esse processo. Para o coordenador acadêmico do MBA em Marketing Digital e do Post-MBA em Digital Business da FGV, André Miceli, é possível afirmar que não existem desvantagens no novo cenário para quem está se preparando.

Para o professor da FGV, a tecnologia vai aumentar o portfólio de trabalho e novas profissões serão criadas, mas, por outro lado, vai exigir algumas competências, como habilidade de programação, conhecimento matemático e lógica, entre outras. Segundo ele, o desafio está na preparação, principalmente, daquelas profissões que não estão associadas, historicamente, às habilidades matemáticas, como é o caso do direito, dos recursos humanos e até do próprio marketing.

“Muitas profissões vão mudar completamente porque existem várias oportunidades para quem souber explorá-las; mas, por outro lado, ter essa capacidade vai exigir uma formação completamente nova. São competências que hoje não são, necessariamente, demandadas de todas as profissões. No entanto, inevitavelmente, isso vai passar a acontecer. Levam desvantagem os indivíduos que não se preparam para esse novo cenário. De resto, só tem vantagem”, aponta André Miceli.

Novas tendências

André Miceli diz que a diferença entre empregado e empregador será alterada por conta dos sites de intermediação, ou seja, que conectam as demandas e profissionais freelancers. De acordo com ele, há um potencial crescente desse tipo de funcionário, porque, além de tudo, todas as empresas estão muito pressionadas por resultados financeiros.

“Isso tudo fica ainda mais complexo se olharmos sob a perspectiva de leis trabalhistas e todas as instabilidades que o país vem passando. Portanto, existe uma tendência de utilização, pelo menos no nosso ambiente, de freelancers e pequenas empresas. Isso pode afetar, no médio prazo, as relações de trabalho”, afirma o professor da FGV.

Emprego

O especialista prevê que vai acontecer uma migração da força de trabalho. Segundo ele, existe a possibilidade de alguns postos de trabalho fecharem para as camadas mais baixas da sociedade, por outro lado, muitos postos vão abrir, trazendo demandas que não necessariamente encontrarão muitos profissionais para preenchê-las.

“Logo, ocorre um aumento da disparidade entre o topo e a base da pirâmide social. Como esses postos aparecem com características que são difíceis de serem preenchidas, inevitavelmente os profissionais que as atendam são mais valorizados. E, por serem mais bem pagos, podem e tendem a concentrar mais renda. Se a gente enxergar muitos postos de trabalho desaparecendo nas camadas mais baixas da sociedade, teremos uma renda per capita média ainda mais reduzida nessas camadas; por conseguinte, haverá renda per capita média subindo nas camadas que já são mais altas. Isso pode trazer uma série de discrepâncias sociais, sendo difícil de prever seus desdobramentos. Diante desse quadro, sem dúvida, os governos vão intervir. Então, teremos um novo conjunto de forças interferindo para tentar equilibrar todas as tensões que, inevitavelmente, vão aparecer”, observa.

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