Estratégia

O impacto da eficiência e da eficácia na Governança Corporativa

É interessante notar que sempre após algum escândalo aparecem especialistas e pessoas ditas “entendidas” no assunto de governança corporativa. A realidade, no entanto, mostra que muitos falam bastante, mas não praticam o que dizem – pelo menos com a profundidade esperada.  Por outro lado, vêm os órgãos reguladores que buscam preencher as lacunas e tentar corrigir desvios que deveriam ter sido previstos, agindo somente depois de erros graves, já que não temos a cultura de prevenção, somente correção.

Contudo, até quando as organizações irão aguentar? Basta lembrar casos clássicos, como Enron, Parmalat, Aracruz, Banco Panamericano, Óleo e Gás Participações SA (OGX), Petrobras, JBS, BRF, entre outras que causaram sérios danos a seus investidores e partes interessadas.

Ou seja, falar de governança, riscos corporativos e compliance é tão comum ultimamente que parece algo antigo, não é verdade? Estes termos já estão incorporados ao vocabulário corporativo em conjunto com os controles internos e gestão de riscos, fazem parte de nosso cotidiano no mundo dos negócios. Algumas aplicações de compliance, governança, controles internos passam a ser mais efetivos, quando conhecemos os riscos de perdas envolvidos na gestão de negócios e no mapeamento destes riscos.

Mas, será que é tão difícil assim? Fácil não podemos dizer que é longe disso. Não obstante, como implementar compliance, controles internos e gerenciamento dos riscos em organizações, sejam elas de pequeno, médio e grande porte, se as pessoas não têm o hábito de efetivar tais controles? Porém, basta acontecer algo relacionado a controles e gerenciamento de riscos para o assunto aparecer nas redes sociais e mídias e todos ficarem ensandecidos na busca por respostas. E elas são sempre recorrentes: entender o negócio, implementar os controles e, obviamente, indicar as possibilidades de riscos.

Infelizmente, as questões de gestão e governança sempre encontram uma barreira: a falta de conhecimento do negócio por alguns profissionais e de uma metodologia interna para identificação das possibilidades de controles, sejam gerenciais ou regulatórios, além dos riscos envolvidos na atividade. O fluxo dessas informações é muito importante e muitos são os processos a serem identificados, mas ainda falta o entendimento de que a sustentabilidade da organização está na forma de gestão e conduta dos negócios.

A cada escândalo, todos se questionam sobre a efetividade dos processos de governança, auditoria, riscos e compliance, afinal, ainda vivemos um período em que todas as grandes corporações do mundo passam por crise de credibilidade. Sem contar os fatos ocorridos no Brasil nos últimos anos, com empresas de renome e outras que foram liquidadas por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, problemas de corrupção, fazendo com que todos sofram – clientes, fornecedores e investidores – com a diminuição da confiança.

Embora seja defensor dos sistemas de controles internos como base de implementação de processos mais confiáveis há muitos anos, os controles continuam sendo utilizados aquém de suas possibilidades, seja pela falta de cultura, ou pela negligência dos riscos, e da fragilização dos controles pela alta administração, como pelos seus gestores, pelos conselhos de administração e até mesmo pelos comitês de auditorias, tão focados na governança corporativa.

A não existência de um modelo padronizado não justifica deixar de lado a boa governança, pois entendemos que cada organização deve identificar, organizar e implementar a melhor gestão de compliance e de controles internos para as suas informações, processos e sistemas, e que a gestão do negócio, segundo as suas necessidades, seja efetiva e o apetite por riscos seja mais transparente e responsável.

Geralmente, as questões de governança corporativa, os sistemas de gestão de compliance e controles internos, deixam de lado as questões de gestão de riscos nas organizações já que por melhor que sejam seus sistemas de controles internos, baseados em normas, procedimentos, sistemas e metodologias, sempre dependeremos de que as pessoas executem suas tarefas de forma ética e responsável.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Banco Central (BC), a Superintendência de Seguros Privados (Susep), Receita Federal, entre outros órgãos reguladores vêm, a cada ano aperfeiçoando e realizando melhorias em suas legislações. Mas, somente isso não basta, fica evidente que a governança, compliance, controles internos, controles contábeis e de riscos aliados, sempre que possível, aos sistemas de gerenciamento de informação podem variar conforme o tamanho, o segmento e a complexidade das operações de cada organização.

Daí surge uma questão muito preocupante: se ocorrem escândalos de corrupção em empresas de capital aberto, com processos de auditoria e ampla divulgação, como podemos descobrir os problemas nas empresas de capital fechado, familiares e limitadas, que não têm auditorias e processos de fiscalização? Como será que a governança é aplicada a estes negócios?

É surpreendente constatar que muitos gestores ainda não entendam que o compliance e controles internos são partes integrantes do gerenciamento de riscos corporativos e asseguram os processos de governança definidos pela alta administração. A estrutura do gerenciamento de riscos corporativos necessita abranger o controle interno, originando, dessa forma, uma ferramenta de gestão mais eficiente, afinal um dos princípios da governança é a prestação de contas, e como podemos fazer isso sem um processo de controles internos e contábeis eficiente? Por esse motivo, frisamos que é muito importante conhecer o negócio, o mercado, os clientes, os fornecedores, as questões tributárias e regulatórias, afinal é muito mais que uma obrigação, é uma questão de necessidade e segurança organizacional, afinal, os procedimentos internos e a gestão de riscos dependem do conhecimento destes itens citados anteriormente.

Esse assunto demanda conhecimento e uma busca por capacitação no mundo corporativo, de tal forma se tornou motivo de pesquisa e análise acadêmica identificar os pontos que devem ser aprimorados. Mas sem que as pessoas sejam preparadas para mudar suas posturas na gestão dos negócios, observaremos que o compliance, aliada a uma boa gestão de controles internos e de riscos corporativos, necessitam de envolvimento da alta administração, conselhos de administração, gestores de negócios, comitês de auditorias, entre outras partes interessadas, na implementação e nas revisões periódicas de processos, pois as perdas, os erros e as fraudes dificilmente acabarão, contudo, podem ser minimizados se forem corretamente aplicados.

Por Marcos Assi, professor e consultor da MASSI Consultoria e Treinamento.

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