Atração

O que as pessoas com deficiência buscam em uma vaga de emprego?

De acordo informações divulgadas pela Relação Anual de Informações Sociais (Rais) em 2016, pouco mais de 418 mil pessoas com deficiência trabalham formalmente no Brasil. O número representa 49,84% da cota nacional cumprida, sendo que apenas 6,52% dos trabalhadores com deficiência estão empregados em empresas sem obrigação legal de contratação.

Em muitas ocasiões, a busca por trabalho torna-se mais difícil para o profissional com deficiência. Uma das causas decorre das percepções distintas sobre o que uma PCD busca ao se candidatar para uma vaga de emprego. Este fato pôde ser analisado na pesquisa “Expectativas e percepções sobre o mercado de trabalho para pessoas com deficiência 2017/2018”, realizada pela i.Social, em parceria com a Catho, ABRH Brasil e ABRH-SP, que entrevistou 1.091 pessoas com deficiência, 1.240 profissionais da área de Recursos Humanos e 117 líderes de empresas.

Oportunidades atrativas 

Uma das perguntas feitas na pesquisa referia-se aos itens mais atrativos em uma vaga de emprego. Considerando que os entrevistados poderiam escolher até três opções, as mais assinaladas foram: “salário” em primeiro lugar, com 48% das respostas, “plano de carreira” em segundo (44%) e “pacote de benefícios” em terceiro (36%) conforme visto na tabela abaixo.

Das 1.091 pessoas com deficiência entrevistadas, 57% estão desempregadas, 45% não receberam nenhuma oportunidade de emprego no último mês e 37% receberam entre 1 e 3 ofertas, em média. Além disso, 64% dos respondentes afirmam que, quando estão em busca de trabalho, procuram por qualquer tipo de vaga, sem condicionar se é para pessoa com ou sem deficiência. Ou seja, a busca é focada no perfil profissional.

Por outro lado, segundo a percepção dos profissionais de recursos humanos, a acessibilidade é o principal fator que torna uma vaga de emprego atrativa para o profissional com deficiência, de acordo com 21% dos participantes, seguida de “ambiente de trabalho inclusivo” (17%) e o fato de a empresa possuir um “programa de inclusão estruturado” (15%).

Os dois principais públicos responsáveis pela contratação dos profissionais com deficiência acreditam que a atratividade dos candidatos com deficiência está em ofertar acessibilidade, ambiente de trabalho sensibilizado e formalizado e, ainda, um bom programa de inclusão.

Entretanto, esses itens estão na quinta, sexta e sétima posição na percepção das pessoas com deficiência, segundo o levantamento da i.Social.

Essa é uma das mais importantes dicotomias das tantas apresentadas ao longo da pesquisa, pois, se as empresas ofertam o que não está no radar das pessoas com deficiência, nem o que faz parte do propósito de todo candidato que se dispõe a conquistar uma vaga de trabalho (como salário, plano de carreira e benefícios), como imaginam contratar os melhores profissionais?

Este post foi originalmente publicado no blog da i.Social, uma consultoria com foco na inclusão social e econômica de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

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