Engajamento

O sucesso do seu programa de saúde corporativa pode depender do big data. Veja por quê

Investir em prevenção é sempre um bom negócio, principalmente quando falamos de saúde. Em tempos de retração econômica, que reduz o número de conveniados, e aumento na expectativa de vida do brasileiro, as operadoras de planos de saúde enfrentam um mercado mais desafiador. Com o envelhecimento da população, cada vez mais as operadoras veem a carteira de clientes com 60 anos ou mais crescer. Por ter uma saúde delicada, esse público costuma demandar mais internações, exames e atendimentos de emergência.

No Brasil, já existem iniciativas maduras focadas na prevenção e algumas operadoras apostam em programas de medicina preventiva e ações de diagnóstico precoce como ferramentas de redução de custos. Entretanto, essas medidas também geram gastos – inferior a uma internação, mas mesmo assim, são despesas significativas. Uma saída viável, que requer um investimento menor, é a potencialização do uso de dados. A tecnologia e as informações já existem, mas é necessário unificar tudo em ambientes de fácil visualização.

Na maioria das empresas do setor (operadoras, clínicas e hospitais) as informações sobre a vida dos pacientes estão descentralizadas. As barreiras que inviabilizam uma integração dos dados são predominantemente culturais, mas passam também pela baixa adesão de tecnologias nas instituições, impedimentos legais e ausência de processos estruturados.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) aproximadamente 72% das mortes antes dos 60 anos de idade são ocasionadas por doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) — diabetes, doenças do coração, acidente vascular cerebral, hipertensão, entre outras. Utilizar o histórico do paciente para evitar a evolução desse tipo de problema é possível. Por exemplo, a operadora que atende diferentes pessoas de uma mesma família, tem informações relevantes sobre possíveis doenças genéticas dos seus segurados e pode agir previamente para evitar o avanço de uma determinada enfermidade. Ou ainda, quando o paciente busca uma segunda opinião, se o médico tem acesso ao prontuário de maneira fácil, consegue ver os exames e procedimentos já realizados e, com isso, fazer uma análise mais profunda sobre a sua condição clínica.

Além da unificação, é importante também contar com inteligência para identificar comportamentos e padrões e, nesse ponto, a inteligência artificial e as soluções de analytics e predição são apoios importantes. Essas aplicações e ferramentas que centralizam o histórico de saúde do paciente, começam a ganhar força no mercado, mas ainda precisam vencer as barreiras culturais e de legislação – atualmente o prontuário pertence ao paciente e só pode ser compartilhado com outros profissionais se ele autorizar, além do nível de informação, que pode ser compartilhado e visualizado pelos diferentes atores da cadeia.

A mudança do segmento de saúde que está em curso é um caminho sem volta e as empresas precisam se atentar à essa nova fase. Quem não automatizar processos e construir essa visão única do paciente a médio e longo prazo desaparecerá do mercado. O sinônimo de qualidade para serviços de saúde será evitar que o paciente fique doente. Tudo isso, trará mais eficiência e sustentabilidade para o ecossistema por completo.

A tecnologia surge como protagonista dessa transformação, com soluções e aplicativos capazes de acelerar o início de uma nova fase do setor. Na era do big data, precisamos colocar em prática a análise dos dados para consolidarmos informações pertinentes. Só assim, o foco na prevenção conseguirá ser um diferencial para os negócios e o ciclo da saúde terá uma nova dinâmica de operação, em que a doença não é o agente inicial do atendimento.

Por Luciano de Oliveira, Gestor Executivo de Saúde da TOTVS.

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