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Os 7 pecados capitais da sucessão em empresas familiares

A sucessão é um dos principais desafios das empresas familiares que buscam fazer a transição entre gerações de maneira profissional e eficaz. Por isso, o consultor em Gestão Financeira e Estratégica de Negócios, Bernardo Medina, listou os sete principais erros que essas empresas cometem em meio aos processos de sucessão.

1. Confundir empresa, família e patrimônio

Dizer que empresa e família não devem se misturar é um mito. Pelo contrário: a família é bem-vinda e pode ajudar o negócio a crescer e, por consequência, o patrimônio da própria família. Inconsciente desses riscos, porém, os dirigentes da empresa, principalmente o fundador, às vezes se esquecem de cuidados importantes. E acaba permitindo que familiares trabalhem na empresa sem competência, por exemplo. Em outros casos, um filho que poderá receber como herança, no futuro, parte da empresa, se acha no direito de assumir um cargo já no presente. Portanto, é preciso definir algumas regras e princípios gerais, tanto pra empresa como a família, inclusive pra que está fora do negócio, pra evitar uma confusão generalizada. 

2. Não gerenciar os conflitos familiares

As expectativas de cada familiar em relação ao afeto, à carreira, ao dinheiro e ao poder são as mais diversas. Invariavelmente, como somos humanos, conflitos irão surgir tanto dentro da família (entre gerações, irmãos ou primos, cônjuges etc), como entre famílias proprietárias (no caso de uma empresa multifamiliar). O importante, por isso, é a empresa criar um ambiente saudável para debater abertamente e, então,  administrar esses conflitos. Isso pode envolver apenas conversas francas e informais entre os familiares, ou, quando necessário, convidar especialistas como mediadores de conflitos, psicólogos ou conselheiros profissionais para ajudar a resolver os problemas enquanto são pequenos.

3. Confundir salário com lucro

Salário é o pagamento pelo trabalho realizado, portanto, deve ser proporcional à carga horária de dedicação da pessoa, dos resultados e principalmente do valor que o mercado paga para aquela função naquele tipo de empresa. Lucro é proporcional ao resultado líquido da empresa e deve ser proporcional à divisão de cotas (percentual) entre os sócios do negócio. Isso significa que um filho recém-contratado pela empresa pode receber momentaneamente um salário maior que seu pai, que no momento ocupa apenas um cargo no conselho de administração, em tempo parcial, por exemplo. Em compensação, o pai receberá uma boa remuneração em lucros se o negócio estiver bem, e o filho não, por ainda não possuir cotas.

4. Misturar as finanças pessoais com as da empresa

Muitas vezes os sócios aproveitam a estrutura da empresa, como secretárias, por exemplo, para administrar suas contas pessoais. O problema é que elas costumam pagar os compromissos usando dinheiro da empresa e nem sempre é feito um ajuste de contas no fim do mês. Os resultados são catastróficos. Muitas vezes a empresa nem sabe quanto cada sócio ganha, e os hábitos de consumo dos sócios acabam virando assunto da rádio corredor. Isso causa ciúmes, confusão e disputas internas, além dos óbvios potenciais problemas contábeis e fiscais.

5. Descuidar dos processos internos da empresa

Como a maioria das empresas familiares começa pequena, o conhecimento fica na cabeça de cada sócio, principalmente o fundador. À medida que a empresa cresce, o sócio vai precisando contratar mais gente e esquece de regulamentar suas boas práticas, o que permitiria que outros fizessem (bem) parte significativa do seu trabalho. Isso causa problemas sérios no recrutamento de pessoal, reduz a eficiência operacional do negócio e alimenta a máxima de que “pra fazer bem feito, faço eu mesmo”. A empresa fica limitada ao tamanho das pernas dos seus principais sócios, até ser engolida pela melhor eficiência de seus concorrentes

6. Parar no tempo

A mudança é inevitável e sobrevivem as empresas que se adaptam e reinventam-se ao longo do tempo. As mudanças, na maioria das vezes, são graduais: cada dia um pouco, mas um pouco todo dia. Mas não é só. Em certos momentos da sua história de vida, a empresa poderá precisar fazer mudanças mais significativas, como modificar seu modelo de negócio, seu principal produto ou mercado-alvo. Mas, pelo saudosismo e, às vezes teimosia de alguns fundadores, falta à empresa familiar essa flexibilidade. Mudar envolve riscos que muitos fundadores, quando mais velhos, tendem a não correr. 

7. Não se preparar para a sucessão

A preparação para a sucessão deve começar no mesmo dia em que a empresa é fundada. Afinal, ninguém é capaz de afirmar até quando os fundadores do negócio serão capazes de estar à frente da gestão do mesmo. Preparar a sucessão envolve a empresa, o fundador, seus potenciais sucessores e, claro, a família. Como muitos fundadores de empresas familiares acham que “ainda tem muitos anos de vida pela frente”, essa preparação vai sendo negligenciada até que uma surpresa, seja no mercado ou na vida da família, põe tudo a perder. Afinal, o plantio é facultativo mas a colheita é obrigatória.

Obviamente que esses são os erros principais, mas muitos outros podem colocar em risco o crescimento da empresa, especialmente quando vai passando de geração para geração. “Acredito que o primeiro passo para resolver um problema é identifica-lo. No entanto, e infelizmente para as empresas familiares, é preciso muito esforço para sair da inércia. É como dizer a uma pessoa bonita que ela tem mau hálito, por exemplo. No Seminário, vamos convidar os dirigentes de empresas familiares a fazer uma profunda reflexão sobre suas práticas pessoais e empresariais, e a comparar o quanto elas assemelham-se aos pecados mais comuns. Depois, é a hora de relacionar esse comportamento com os resultados recentes do negócio de cada um, com suas devidas particularidades. Se a luz amarela do bom senso acender, é hora de buscar ajuda dos diversos profissionais no mercado especializados em empresas familiares. Quanto mais cedo a mudança começar, melhor”, finaliza Medina.

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