Gestão

Os mitos do trabalho remoto

O trabalho remoto tornou-se parte da rotina de empresas de todos os portes e é capaz de levantar inúmeros pontos quando abordado. Ou seja, desde benefícios como o colaborador aumentar a produtividade, passar mais tempo com família e gerar um menor custo para o universo corporativo até aos aspectos negativos. Por exemplo, não criar uma identidade da marca, ter dificuldades em comunicação e na criação de um plano de carreira.

Assim como qualquer outra iniciativa, este formato de trabalho depende altamente da implementação. Já vi casos onde os pontos positivos foram amplificados e os negativos não existiram, como situações opostas onde o caos foi criado. Neste contexto, a cultura positiva depende dos líderes da empresa e no tempo que eles dedicam para desenvolver o ambiente idealizado. É importante que o presidente se mantenha atualizado, incentive os funcionários a se desenvolverem, e que esteja sempre acessível. O exemplo e o esforço que os líderes dedicam à corporação são muito mais importantes que sua presença física.

Caso o colaborador esteja desmotivado e o líder não tenta estimulá-lo ou se não há ferramentas de produtividade, certamente não trabalhar é uma probabilidade. Por outro lado, existem diversas maneiras de não só mitigar esse risco, como até aumentar a produtividade. Alguns exemplos incluem feedback frequente, definição clara de atividades e entregáveis, ligações e  reuniões diárias nas quais o funcionário diz o que fez no dia anterior e o que irá fazer no próprio dia.

Ouvi essa frase diversas vezes, porém, por experiência própria, a comunicação é muito mais fácil. Num escritório físico, a pessoa pode estar em reunião, no café ou no almoço. Outra coisa típica de um escritório cheio é ser interrompido várias vezes por dia, muitas vezes por perguntas que poderiam ser respondidas com pesquisas no Google. Há ferramentas incríveis, como o Slack, onde cada colaborador participa dos canais de discussão de seu interesse e onde há também mensagens diretas. Se eu quero falar com uma pessoa, eu mando mensagem pela plataforma e, em geral, as respostas são imediatas.

Além da comunicação, o plano de carreira depende exclusivamente de responsabilidades e metas claras, rodadas de feedback, gerenciamento de expectativa e transparência. Se a pessoa está com uma boa performance e há oportunidades, a decisão de promoção e crescimento é ainda mais neutra, pois o cafezinho e a amizade pessoal terão pesos menores nas tomadas de decisão, fazendo com que a empresa seja ainda mais justa com seus funcionários.

O risco dos colaboradores não se conhecerem pessoalmente existe e precisa ser reduzido por seus líderes. Iniciativas relativamente simples ajudam bastante nesse ponto, como todos obrigatoriamente terem uma foto nas ferramentas de comunicação, videoconferência mensal com todos da empresa e até mesmo viajar e encontrar pessoalmente algumas vezes por ano. Eu, particularmente, gosto bastante de levar todos os funcionários pelo menos uma vez a cada dois meses para algum lugar para discutir estratégias da empresa, reunir com clientes, e criar um sentimento de confiança e parceria entre os membros do time.

Por Gustavo Vaz, CEO da EmCasa

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