Engajamento

Pensar no tempo como sinônimo de dinheiro pode aumentar o nível de estresse, diz estudo

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Stanford revelou que levar a máxima de Benjamin Franklin,“tempo é dinheiro”, às últimas consequências pode ter um impacto direto na saúde. De acordo com o professor Jeffrey Pfeffer, da Escola de Graduação em Negócios, indivíduos que são bem conscientes do valor econômico de seu tempo – ou seja, que pensam em tempo como equivalente a dinheiro – geralmente são mais psicologicamente estressados, e apresentam níveis mais altos de cortisol, o hormônio do estresse, do que aqueles para os quais o valor econômico do tempo é menos relevante.

Em parceira com Dana R. Carney, da Escola de Negócios Haas, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, Pfeffer investigou por que esses profissionais estão frequentemente insatisfeitos com suas carreiras, e às vezes deixam a profissão, embora boa parte deles desfrute de altos salários e prestígio ocupacional.

Para demonstrar os efeitos da consciência do tempo como sendo sinônimo de dinheiro, Pfeffer e Carney recrutaram 104 indivíduos e os pagaram para trabalhar por duas horas para uma empresa fictícia. Antes de iniciarem o expediente, 50 deles receberam a orientação para calcular a taxa de remuneração por minuto com base em US$ 57,50 pelas duas horas de tarefas. O restante foi incumbidoao mesmo expediente, mas não foi instruído a calcular a taxa de remuneração por minuto.

Ao medirem o nível de cortisol na saliva de cada participante – um indicador psicológico de estresse – no início e no final de uma sessão de duas horas, Pfeffer e Carney constataram o preocupante impacto fisiológico e psicológico dessa consciência. Os níveis de cortisol estavam quase 25% mais altos no grupo do cálculo ‘tempo é dinheiro”, cujos membros também pareceram encontrar menos prazer durante dois intervalos no experimento, no qual tiveram permissão para contemplar arte ou ouvir música.“O cortisol está ligado a todos os tipos de resultados físicos ruins”, diz Pfeffer. “Um aumento de quase 25% é uma grave consequência de saúde.”

O professor acha o resultado angustiante tendo em vista a forma como a cultura de trabalho americana evoluiu.“Os aspectos que induzem ao estresse dessas novas disposições de trabalho podem ter implicações para a saúde geral da população”, conclui o estudo.“Estamos nos movendo na direção errada em várias formas, e esta é apenas uma”, diz Pfeffer. “As pessoas estão continuamente calculando o valor econômico de seu tempo. E todas as pesquisas mostram que, quando elas estão pensando sobre o tempo como dinheiro, não estão aproveitando suas vidas.”

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