Gestão

Pesquisa indica que empresas estão cada vez mais atentas à gestão de riscos

Empresas com atuação no Brasil que participaram de uma pesquisa da Deloitte estão monitorando um número maior de riscos em relação ao que faziam há alguns anos, o que evidencia um foco maior no gerenciamento de oportunidades e ameaças aos negócios. No entanto, apenas pouco mais da metade dessas corporações se considera estruturada para garantir a gestão estratégica de riscos. Essas são algumas das conclusões do estudo “Os cinco pilares dos riscos empresariais – Como gerenciar riscos em um cenário econômico e de negócios desafiador”, realizado pela consultoria.

Oito de cada dez participantes do estudo – realizado com cem executivos e profissionais, representando o mesmo número de empresas com atuação no país, de variados portes e áreas de atuação – afirmam que o interesse pelo desenvolvimento e transformação do processo de gestão de riscos avançou nos últimos anos. Apenas 15% indicaram que esse interesse permanece o mesmo e 2% disseram haver uma atenção menor em relação ao tema. Outros 3% não souberam informar.

O levantamento apurou que 77% dos profissionais que responderam à pesquisa disseram que as empresas que representam possuem uma área dedicada a compliance. Apesar disso, apenas pouco mais da metade (51%) dos respondentes analisa que suas corporações se consideram organizadas para a gestão estratégica de riscos.

“Esse resultado indica que há um desafio importante para as empresas, que precisam incorporar estruturas organizadas e definidas para a gestão de riscos empresariais, com o objetivo de evitar exposição a ameaças pela falta de preparo nessa área”, explica Ronaldo Fragoso, sócio-líder da área de Risk Advisory da Deloitte no Brasil.

Quando comparados os resultados da atual pesquisa com dados de levantamento da Deloitte que abordou o mesmo tema em 2015 – e considerando-se algumas diferenças metodológicas e de base entre os estudos –, hoje, as organizações estão monitorando um número maior de riscos em relação ao que faziam há dois anos.

O foco principal da gestão de riscos continua no fluxo de caixa e resultados (com 90% de citações dos respondentes). Em seguida foram mencionadas as questões contábeis (87%); tributárias e fiscais (também com 87%); de crédito (84%); trabalhistas (82%); taxas de juros nacionais (81%); condutas antiéticas e fraudes (80%); regulamentação do setor de atuação (78%); capacidade operacional (também 78%); e obtenção de licenças, autorizações e permissões governamentais (77%). As questões eram de múltipla escolha.

Vale destacar que, apesar de a principal preocupação continuar sendo com o fluxo de caixa, houve alterações no “ranking” de itens citados na pesquisa atual em relação ao levantamento da Deloitte de 2015. A preocupação com riscos contábeis passou da terceira posição há dois anos para a segunda colocação. A questão tributária e fiscal era a quinta da lista, ocupando hoje o terceiro lugar. Os riscos de crédito, que figuravam em nono lugar, passaram para o quarto.

Já a preocupação com ameaças ligadas ao tema trabalhista recuou do segundo lugar para o quinto. Mas o maior salto está na atual sexta posição da lista, com o item taxas de juros nacionais, que figurava apenas na 17ª posição da pesquisa de 2015.

Quem cuida dos riscos

De acordo com as conclusões do estudo, as melhores práticas sugerem que as funções de gestão de riscos e de crises devem ser independentes, com reportes diretos às instâncias de governança corporativa, como conselhos e comitês. Na prática, porém, as empresas representadas ainda demonstram que essas funções têm grande dependência em relação aos níveis executivos e de negócios das organizações.

Para esclarecer essa conclusão, 32% dos participantes afirmaram que as áreas de gestão de riscos e crises se reportam diretamente ao diretor-presidente de suas organizações; 25%, ao diretor financeiro; 7%, ao diretor de governança; 4%, ao diretor jurídico; e 3%, ao diretor de operações. Somente 16% dos respondentes disseram haver reporte desses segmentos ao comitê de auditoria e riscos, e outros 13% respondem diretamente ao conselho de administração.

“Com base nos dados apurados pela pesquisa, é possível perceber que a preocupação com práticas éticas e com a cultura da governança e conformidade segue relevante, mas os temas macroeconômicos, como acesso a crédito e taxa de juros, ganham importância e atenção em razão do atual momento do País”, explica Ronaldo Fragoso. “Mesmo assim, seguimos enfatizando que reforçar conceitos e processos estruturados para a gestão de riscos é fundamental para assegurar a sustentabilidade das empresas”.

Pilares dos riscos empresariais

O estudo da Deloitte detalha o tema e aponta os cinco pilares dos riscos empresariais, que são: estratégicos; regulatórios; financeiros; operacionais e cibernéticos. Cada um desses segmentos precisa ser acompanhado e avaliado de acordo com o tipo de exposição específico a que cada empresa está sujeita, pois a gestão de riscos é uma função multifacetada, que deve ser vista de maneira particularizada dentro das organizações.

Segundo os dados da pesquisa, a maturidade das empresas para a gestão de riscos varia em cada uma dessas frentes. Mais da metade dos respondentes afirmou que é alto o grau de maturidade para enfrentar os riscos financeiros (55%) e regulatórios (53%).

Na outra ponta, os riscos cibernéticos – que emergem frente às novas tecnologias de informação e conectividade – são considerados como os menos bem geridos pelas empresas: com 44% dos profissionais participantes admitindo que suas empresas possuem um baixo grau de maturidade para a gestão desse tipo de ameaça.

“As questões financeira e regulatória já estão bem incorporadas à rotina gerencial das organizações, o que é autoexplicativo. Por outro lado, os riscos cibernéticos são algo novo, que exigem apoio especializado para serem enfrentados, preparação, investimentos e muita agilidade nas respostas, o que os torna um grande desafio a ser suplantado pelas organizações”, conclui Fragoso.

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