Carreira

Presente com personalidade

 

Num ano de crise econômica, a época do Natal passa a ser mais preocupante que divertida. Para aqueles que têm costume de presentear, possivelmente as compras ficarão mais contidas e planejadas. Segundo a Confederação Nacional do Comércio, o desempenho do comércio no Natal deste ano será péssimo, podendo ser um dos piores da última década, e o recuo em relação a 2014 poderá ser de até 4,1%, sendo esta a primeira vez, desde 2004, em que é registrado um resultado negativo.

Mesmo com pouco dinheiro, é possível demonstrar o carinho e afeto. Para quem tem criatividade e gosta de colocar a mão na massa, a crise não será uma barreira. Inclusive, produzir os próprios presentes pode se tornar um momento prazeroso, além de ser retribuído com surpresa por quem os recebe.

A biomédica Juliana Conti sempre gostou de artesanato e de fazer “mimos” durante o Natal, mas há três anos, quando se viu desempregada, decidiu recorrer às próprias habilidades como forma de presentear a família e alguns amigos. “Já pintei pregadores de roupas, colei enfeites de natal, coloquei ímã e um bloquinho em branco. Em outro ano, costurei nécessaires de feltro, coloquei enfeites e desenhos e dentro pus sabonete. E neste ano, já acumulei alguns objetos em MDF e irei pintar todos.”

Ela conta que economizou muito fazendo dessa forma, que foi a sua primeira opção quando estava desempregada. Hoje, mesmo empregada, acaba optando pelo artesanato, por ter uma família grande. “Assim consigo presentear a todos com pelo menos uma lembrancinha”, diz.

Para Juliana, todos deveriam fazer artesanato pelo menos uma vez na vida. “As coisas feitas pelas nossas próprias mãos são únicas, e o prazer que dá depois de pronto é incrível. Além disso, quem recebe se sente único e exclusivo. Quando ganho algo feito por alguma amiga ou parente, tem um valor diferente, porque a pessoa não foi lá simplesmente e comprou, ela fez, pensou em mim, no que eu gosto, como eu gosto, e fez.”

A alquimia dos alimentos

O prazer que Juliana tem com o artesanato, a empresária Márcia Santos tem com a comida. Ela diz que, há muito tempo, tem grande envolvimento com o alimento, e sempre que pode presenteia as pessoas, assim como já foi presenteada, seja por uma tia, no passado, com seus bolos ao cair da tarde, acompanhados com um leite quentinho, que a acalentavam quando pequena, seja pelo arroz-doce de sua mãe ou as geleias de seu pai. Por isso, ela acredita que presentear as pessoas com o alimento preparado por ela é presenteá-las com amor, com a sua energia, com a sua especial atenção . “Tenho a certeza de que esse alimento faz com que as emoções fiquem registradas, pois o alimento nutre o corpo e a alma”, diz.

Nesse sentido, já faz um tempo que Márcia presenteia amigas, tias, mãe e clientes com pães, bolos, bombons, cocadas e tortas. Inclusive presenteia mesmo em datas não comemorativas. E nem tem como foco a economia, pois ela diz que muitas vezes utiliza ingredientes com um certo valor agregado para preparar suas receitas.

A reação das pessoas é o que ela recebe como presente. “Eles recebem com surpresa e com a expressão de que vão devorar tudo”. Para Márcia, é uma satisfação poder proporcionar ao outro momentos diferentes. “Não importa se sua receita foi feita para incrementar um prato que você comprou para presentear, ou até se a intenção nem era essa. O que importa, sim, é o que o moveu a fazer isso. Nossas vidas são feitas de sonhos e lembranças, e se tivermos bons momentos registrados, melhor!”, comenta ela.

De mudas a árvores de Natal

No ano em que comprou um terreno em Mairiporã, São Paulo, a pedagoga Silmara Marracho aproveitou que algumas mudas de pinheiro que lá estavam seriam arrancadas e decidiu presentear, durante o Natal, suas tias, primas e cunhadas. As mudas foram dadas num vaso dourado, e a ideia era que no futuro, se bem cuidadas, poderiam servir como árvores de Natal. “Elas adoraram a criatividade e ficaram surpresas. Com certeza, foi um presente muito diferente”, conta.

Palavras eternizadas

A química Aline Ramos diz que, por muito tempo, fez presentes de Natal, principalmente na adolescência. Hoje com 30 anos, ela confessa que é difícil ter tempo para se dedicar a essa arte. Ela sempre se empenhou em produzir seus próprios cartões para presentear com exclusividade, pois nenhum cartão fica igual ao outro e cada um tem emoção e carinho próprios.

E não eram quaisquer cartões: eles eram feitos de ponto-cruz ou com uma técnica de vitral, utilizando tintas plásticas diluídas, assim a mensagem dentro do cartão ficava visível através do desenho. Em alguns, ela citava alguma mensagem, e em outros escrevia com suas palavras.

Aline explica que, apesar dos materiais não serem baratos, a quantidade produzida compensa o dinheiro gasto, fora toda a terapia envolvida em trabalhos artesanais e a exclusividade de presentear com itens únicos. Ela diz que as pessoas se surpreendiam e se sentiam especiais com o presente, e para ela era uma terapia, pois, além de gostar de artesanato, ainda ficava imaginando a reação das pessoas, e sempre procurava elaborar o presente de acordo com o gosto pessoal de cada um.

Mais que um presente

A estudante de medicina alternativa Carina Leone começou a fazer presentes de Natal há dez anos. Em 2005, fez a lista das pessoas que queria presentear e viu que ia extrapolar o orçamento. Mas o pensamento não foi de diminuir a lista ou esquecer os presentes. Ela e uma amiga decidiram usar a criatividade e fazer sabonetes artesanais. Depois desse Natal, em todos os outros ela presenteou familiares, amigos, colegas de trabalho e vizinhos. Entre as suas escolhas de presentes, já estiveram pão de mel, alfajor, colar, potes com biscoitos caseiros e vasinhos com mudas do seu jardim. “Com certeza economizei e consegui presentear um número maior de pessoas.”

Carina conta que, no geral, as pessoas valorizam mais e se sentem especiais ao receber um presente personalizado. E mais que um presente físico, as pessoas recebem pensamentos positivos e amor. “Ao fazer, coloco meu carinho e minha energia no que estou fazendo e acredito que transmito isso por meio desse gesto para as pessoas que quero bem e que fizeram parte do meu ano”, conta ela.

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