Carreira

Série da Netflix reacende debate sobre empreendedorismo após os 60

A imagem estereotipada que temos das pessoas acima de 60 anos é: cabelo branco, crochê nas mãos ou, como estamos na era fitness, indivíduos dessa faixa etária correndo e comendo uma maça. O que Marta Kauffman e Howard J. Morris fizeram foi desmistificar essa ideia generalista que temos dos idosos: ambos criaram a história de duas senhoras, aparentemente rivais, que passam por um processo litigioso com os seus respectivos maridos e têm de recomeçar a vida do zero após os 70 anos.

Dando alma a este enredo, as experientes atrizes Jane Fonda (77) e Lily Tomlin(75), mostram que mulheres e homens maduros têm desejos, sonhos e acima de tudo podem se virar sozinhos e terem um negócio próprio. A série que carrega o nome das duas personagens, Grace & Frankie, estreou na Netflix em 2015 e já está em sua terceira temporada.

A história da Netflix mostra que pessoas mais experientes podem, sim, ter ideias inovadoras para ganhar dinheiro e, como todo ser humano, precisa de apoio para colocá-las em prática. Uma das cenas mais emblemáticas é quando Grace e Frankie vão ao banco e levam um sonoro não do gerente. Ambas tentavam solicitar um pedido de crédito para começar um negócio irreverente no mercado de Sex Shop. Esse episódio mostra o preconceito que pessoas com essa faixa etária sofrem para entrar no mundo empresarial.

O que as personagens enxergaram foi uma oportunidade de negócio devido a uma necessidade que tinham. Ou seja, souberam analisar o público-alvo do seu plano empresarial muito bem. Pensando nisso, Leiza Oliveira, especialista em carreiras e CEO da Minds Idiomas, que já tem cerca 35% dos franqueados idosos, viu nesse público uma forma de aprendizado e de confiabilidade para o seu negócio.

“A população está vivendo mais e buscando formas de se engajar com outras pessoas e com a própria tecnologia. A Minds já tem muitos alunos experientes. Em 2015, resolvi ampliar o leque e aumentar o número de sócios mais velhos. Deu tão certo que fiz uma parceria com uma instituição bancária que facilita a tomada de crédito, por pessoas acima dos 60, para montar a sua escola de inglês”, conta Leiza Oliveira. Ela lista ainda 5 características desse público:

1. Excelente administração do tempo

“É fato que a tecnologia veio para ajudar na administração empresarial, porém com ela vêm as distrações e o uso excessivo das redes sociais e aplicativos. O que os veteranos conseguem é aprender a usar essas ferramentas, aplicá-las no que for necessário e bom para o negócio, mas colocar limites para uso pessoal no momento das obrigações do seu trabalho. Com isso, conseguem render no quesito produtividade e ser tão engajado quanto qualquer jovem no digital”.

2. Conseguem pedir ajuda

“É comprovado cientificamente que somos seres empáticos desde o momento do nascimento, porém com as vivências o nosso cérebro consegue fazer conexões cada vez maiores e diferentes sozinhos. Quando amadurecemos temos uma sinergia maior entre a empatia e esses dados cerebrais. Tudo isso devido às experiências vividas. Logo, as pessoas mais maduras têm mais facilidade de pedir ajuda e com isso tendem a solucionar problemas empresariais de forma mais fácil”.

3. Viveram muitas crises

“As pessoas mais velhas viram corporações quebrarem, bancos falirem, comércios virarem conglomerados e diversos tipos de crises políticas e econômicas. Logo, eles podem ajudar o empreendedor e seus gestores a aguçarem novas resoluções para um período difícil externo e interno”.

4. Acreditam no olho no olho

“É comum empresas fecharem grandes acordos e contratos por Skype, vídeo conferência ou mesmo, dependendo do nicho, por Whatsapp. E tudo bem, tudo isso veio para facilitar as relações comerciais. Porém, o que o público mais experiente consegue, é ter um bom filtro de quando é melhor um encontro presencial e quando não é necessário. E vamos falar a verdade: nada substitui o bom e velho cafezinho e o olho no olho no momento do firmamento de uma parceria empresarial!”.

5. Trabalham por prazer

“Claro que tem muitos idosos que precisam trabalhar para complementar à renda e há os que querem ganhar mais dinheiro para projetos futuros. Porém, a maioria, têm uma aposentadoria e exercer uma função em uma empresa ou como dono de um negócio tem muito mais haver com satisfação pessoal e do corpo do que uma necessidade de criar filhos, por exemplo. Esse fato deixa o trabalho mais leve o que leva a criatividade na entrega”.

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