Desenvolvimento

Tenho diferentes gerações na empresa. E agora?

Embora valorizem o conhecimento e a experiência dos profissionais sêniores, as organizações ainda não desenvolveram práticas capazes de aproveitar o potencial do colaborador maduro em equipes com outras gerações, especialmente as mais jovens. Neste cenário, apenas 16% das empresas têm atividades específicas para a integração dos profissionais de diferentes gerações enquanto que14% das companhias promovem atividades de gestão de conhecimento com profissionais sêniores, como mentoring, tutoria e coaching de alto nível.

Mas, de forma geral, as companhias enfrentam dilemas em relação à convivência de pessoas de diferentes idades em um mesmo ambiente corporativo. Afinal, são valores, educação, formação e objetivos distintos. Dessa maneira, para início de conversa, vamos conhecer cada uma das gerações.

Baby Boomers – Nascidos durante a década de 40 em um clima de ditaduras e guerras, cresceram com repressões e manifestações. No campo profissional, sempre buscaram construir uma carreira consistente, com alto grau de resistência a mudanças e fidelidade às organizações onde, em geral, permaneceram por muito tempo. São pessoas que aliam conhecimento e experiência. Muitas companhias têm enxergam estes colaboradores como conselheiros ativos ou mentores eficientes que auxiliam na formação de novos líderes.

X – Nascidos entre o início dos anos 1960 e o final da década de 70, é uma geração marcada por vários eventos sociais e políticos, principalmente em um momento de transição de ditadura e democracia. Portanto, conviveu com diferentes acontecimentos políticos e econômicos. Por essa razão, sempre buscou acúmulo de patrimônio para momentos de crise. São profissionais com alto grau de comprometimento com a corporação. Porém, muito apegados a status, títulos e cargos. Em geral, resistentes às novas tecnologias e pouca vocação a inovação. Contudo, apresenta organização, disciplina e visão estratégica.

Y – Conhecida também como Millennials, nascida entre1970 e o início dos anos 1990, é a geração que acompanhou o crescimento da internet e se alinhou a conceitos de responsabilidade social. No campo de trabalho se identifica com os valores da organização. É impulsiva, questionadora, movida a desafios e com foco na busca pelo reconhecimento no cargo e na vida pessoal. Em menos de 10 anos, eles representarão 75% da força de trabalho mundial, o que requer muita atenção das empresas na formação desta liderança.

Z – Nascida a partir da década de 90, é a geração conhecida como nativa digital. É composta por pessoas preocupadas, cada vez mais, com a conectividade. São imediatistas e tem uma visão diferenciada do mundo, pois sua relação com o tempo é baseada na velocidade da informação online. Apesar de serem colaborativos, apresentam dificuldades em lidar com hierarquias e preferem empreender. Para este público, a nomenclatura de cargos não interessam e buscam nos líderes as seguintes características: ética, honestidade, integridade e propósito.

Portanto, como atender os diferentes valores e interesses de forma positiva no ambiente empresarial?

Sempre acreditei que a melhor resposta a esse questionamento é a integração, a fusão da sabedoria e do conhecimento com a tecnologia, capacidade inovadora e criativa que as organizações possuem como ativos importantes e competitivos. As diferenças de atitude, visões e velocidade no trabalho devem ser valorizadas e incentivadas dentro da nova realidade.

Inicialmente, as pessoas devem conhecer os valores, a missão e a visão da empresa, e quais são seus objetivos estratégicos, cada nível ou geração à sua maneira, de acordo com as funções que cada um exerce na estrutura organizacional. Lembre-se, cada um percebe a organização de uma maneira, por isso informações e mensagens únicas e claras devem ser transmitidas para que todos as entendam.

Um líder da geração X pode se interessar por uma atividade ou projeto da geração Y e, principalmente, da geração Z, criando fóruns, eventos e situações de troca de informações. Para uma pessoa da geração Z, é muito importante poder apresentar seus projetos e suas ideias e ter o feedback de alguém das gerações anteriores.

Ou seja, organize fóruns formais e alguns informais nos quais a prática de troca de experiências aconteça, como visitar a pessoas em sua área de trabalho, perguntar e interessar-se por algum projeto ou atividade, promover um café semanal ou mensal onde as pessoas se inscrevam e comentem sobre seus projetos e sugestões. Conferências presenciais ou por internet onde assuntos previamente agendados são abordados ou mesmo incentivo à formação de projetos e/ou equipes multi-gerações para o exercício deste convívio.

Os conflitos surgirão naturalmente, o que é bastante salutar para uma organização dinâmica e moderna. Mas, o que vale é a integração e engajamento das pessoas  e ações de execução dos planos. Certamente, iniciativas deste tipo, aproximarão as gerações e criarão uma cultura que valoriza ao mesmo tempo a individualidade e o trabalho coletivo.

José Roberto de Siqueira, CEO da Premiatta

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