Gestão

UTI do RH

 

O mercado offshore registra historicamente médias elevadas de turnover (acima de 5%). O índice médio do Grupo De Nadai era de 4,5%. Mas tudo mudou desde que a empresa criou e implementou em sua unidade Macaé, RJ, o programa “UTI do RH”, que visa identificar funcionários com queda de produtividade e oferecer um completo sistema de apoio para que eles recuperem a estabilidade e performance.

Em Macaé, o Grupo oferece todo o serviço de hotelaria marítima e ship chandler, com suporte a toda a estrutura necessária para atender às demandas do segmento de alimentação das empresas de navegação. Os serviços incluem, além da assessoria de nutricionistas, um pacote de abastecimento e fornecimento de uma enorme variedade de produtos, mão de obra técnica e manutenção e conservação de equipamentos.

A unidade que atende ao segmento offshore conta com 903 colaboradores: 106 alocados na base de apoio e 797 embarcados. Com um número significativo de funcionários, a preocupação com o turnover é fundamental, principalmente pelo alto custo de desligamento e recontratação dos funcionários do setor offshore, que são mão de obra especializada.

Isso gerou demanda de um projeto que reduzisse esse índice e, consequentemente, os custos derivados. Segundo Luciana Lora, gerente de Recursos Humanos do Grupo, o RH desenvolveu o programa UTI de RH, para atender inicialmente os colaboradores de Macaé; agora já foi iniciada a implantação em São Paulo, com o objetivo de alcançar 100% dos colaboradores.

Luciana comenta que tanto pedidos de demissão quanto a troca de funcionário acontecem, mas a ideia principal do programa é conscientizar o gestor de que recuperar o funcionário é muito mais viável e barato do que demitir e depois recontratar.

Como funciona?

Os gestores de cada área fazem avaliações periódicas (antes eram semestrais e passaram a ser mensais) para identificar o nível de performance do colaborador naquele período, bem como verificar se surgiu algum problema profissional ou pessoal que esteja interferindo no rendimento.

A avaliação é feita por meio de um formulário com itens pré-determinados, como competências técnicas, comportamentais, habilidades e atitudes. É feita pelo gestor, com a participação do funcionário, além de ser aplicada aos colaboradores na sede (em terra) ou nas plataformas e navios (offshore).

A avaliação mensal é feita com todos os funcionários. Segundo Luciana, essa periodicidade torna possível dar feedbacks direcionados aos funcionários, antecipar a identificação de problemas e corrigi-los antes que se tornem crônicos. “Outra vantagem é montar um histórico do desempenho dos funcionários, de forma mais detalhada do que anteriormente”, comenta a gerente.

O programa atua em diversas frentes:

  • Identificação de eventuais desajustes com chefia e colegas, para propor remanejamentos, quando necessário;
  • Disponibilização de apoio jurídico, quando o funcionário, ou sua família, tiverem alguma questão legal a solucionar;
  • Encaminhamento médico, quando a queda de performance for motivada por questões de saúde do colaborador ou familiares;
  • Suporte material, caso o colaborador esteja enfrentando algum problema financeiro.

De acordo com Luciana, os principais problemas encontrados são de relacionamento com chefias e colegas, dificuldades legais e financeiras, além de questões de saúde, tanto do funcionário quanto da família. Questões que vão além das habituais são tratadas individualmente, de forma customizada. “O importante é sempre oferecer o apoio necessário para a solução do problema”, explica ela.

O projeto foi iniciado atendendo mensalmente uma média de 30 colaboradores com baixa performance. Atualmente o quadro melhorou de forma significativa, com uma média de dez colaboradores.

Capacitando a liderança

Quando se trata de infraestrutura offshore, os desafios são únicos, e o RH também tem de pensar em estratégias para atender essas especificidades. Uma delas é o “Programa de Desenvolvimento e Capacitação dos Comissários (gerentes das equipes a bordo)”, que torna facultativa a convocação de 100% dos colaboradores identificados para comparecerem à base. O próprio comissário, por meio dos treinamentos recebidos, está habilitado a recuperar o profissional a bordo.

O comissário conta o apoio da comissão de profissionais da base, composta por diretoria, gerentes operacionais e profissionais de RH direcionados a esse projeto.

De acordo com Luciana, a vantagem é agilizar a identificação dos problemas e o encaminhamento das soluções. “Os comissários, mesmo a distância, têm total apoio do comitê do projeto UTI do RH, e o mesmo acontece com os gerentes das unidades em terra. Comprometer nossos gerentes, a bordo ou em terra, com o desenvolvimento contínuo de nossos colaboradores é um dos pontos altos da ação.”

Resultados

O segmento offshore do Grupo De Nadai saiu de um turnover médio de 4,5% em 2013 para uma média de 0,6% em 2016. Em relação à redução de custos com turnover, antes do projeto (2013), eles eram de R$ 156.900,00 ao mês, e após o projeto (2016), estão em R$ 38.258,06.

Segundo Luciana, a demissão para aqueles que não melhoram a performance acontece em último caso, mas não existe um período pré-determinado, pois os fatos são tratados individualmente.

Ela comenta ainda que os funcionários sabem que estão sendo avaliados em relação à produtividade, e a receptividade ao programa é excelente. “É importante esclarecer ao colaborador que ele será indicado para participar do projeto. Essa transparência demonstra nosso empenho na busca da recuperação do funcionário dentro da empresa”, diz.

Os benefícios vão além: “Os funcionários se sentem apoiados e valorizados, e melhoram o desempenho. Inclusive, o número de acidentes de trabalho caiu em cerca de 60% ao ano após a implantação. Houve também melhora da saúde física e mental dos trabalhadores”.

A gerente afirma ainda que não foi necessário investimento no programa. “O que houve foi uma intensificação de um projeto de avaliação que já existia. E aconteceu, na verdade, uma economia: em vez de gastar mais de R$ 156 mil ao mês em demissões, hoje gastamos apenas R$ 38 mil”.

Para quem se interessou pela ideia, Lucina afirma que é possível aplicá-la em qualquer tipo de empresa, customizando os aspectos característicos de cada área. Tanto que, em função desses resultados, que geraram ganhos de produtividade e melhoria operacional, o Grupo De Nadai já planeja implantar o programa também em sua sede de São Paulo, e assim beneficiar a totalidade de seus 4.000 funcionários.

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