Estratégia

Vale a pena ser um chefe “gente boa”?

Todo gestor em algum momento se pergunta qual a forma certa de aplicar pressão em sua equipe para que conquiste os resultados esperados, mas sem ficar com a famosa “fama de vilão”. Um artigo publicado na Revista Quartz com dados da Associação de Psicologia dos Estados Unidos mostra que 75% dos trabalhadores americanos consideram seus chefes as principais fontes de estresse no trabalho, mas, ainda assim, mais da metade (59%) prefere ter um gerente ruim a sair do emprego.

Ou seja, ser um bom gestor não é tão simples quanto pode parecer, e exige um modelo de gestão eficiente e uma boa dose de inteligência emocional. Para Alexandre Lacava, especialista em liderança e vendas, esse tão almejado patamar pode ser alcançado quando o chefe sabe delegar desafios de acordo com as habilidades de quem o executará. “É difícil encontrar um gestor de equipe que já não tenha experimentado uma situação que o enquadre como ‘vilão bem sucedido’ ou ‘amigo fracassado”, explica Lacava.

É comum encontrar gestores que atingem suas metas mas ainda assim não ficam felizes, pois os resultados são obtidos através de constantes promessas de remuneração ou benefícios extras, que nem sempre podem ser cumpridos, o que muitas vezes resulta em desmotivação e perda de confiança da equipe. Ou então aquela equipe se mantém unida, porém, não é mais bem-sucedida em conquistar os resultados esperados.

O especialista lista prós e contras de ser um chefe ‘gente boa’ e dá dicas para o gestor encontrar seu ponto de equilíbrio:

Pró: Possui conexão com a equipe

Um líder que está em sintonia com a equipe comemora junto quando as metas são alcançadas, mas também assume a responsabilidade junto aos demais quando isso não acontece. “Acompanhe, aconselhe e oriente. Esteja em sintonia com o que passa ao seu redor todos os dias, isso aumentará a segurança e os resultados almejados”, afirma o especialista.

Contra: Pega para si as tarefas que deveria delegar

Com medo em que seu liderado cometa erros, já previstos a quem executará uma tarefa sozinho, deixa de delegar por achar que o resultado não atingirá o padrão de qualidade esperado. Isso resulta na perda de tempo e na sobrecarga de suas atividades, além de não estimular o desenvolvimento de seus liderados. “Pode-se dizer que esse é um dos maiores desafios na vida de um gestor de vendas, e também o seu papel principal para a obtenção de resultados, por isso é preciso distribuir responsabilidades mesmo se você precisar mostrar como se faz”, finaliza o especialista.

Pró: Atua como um líder coach e sabe dar feedback

Um gestor ‘gente boa’ acredita que é necessário alocar tempo à sua equipe, seja para ouvir ou para comunicar. “De nada adianta o chefe ter um bom relacionamento com a equipe se não for capaz de ajudá-los nas questões que os impedem de conquistar melhores resultados. É preciso ter um método, saber conduzir e buscar soluções eficazes para aumentar a performance da equipe”, destaca Lacava.

Além disso, o líder coach oferece feedbacks construtivos e assertivos que visam aprimorar a comunicação entre a equipe. Ele busca saber a opinião da equipe, faz perguntas e quanto mais oferece espaço ao liderado para se expressar, promove que o conhecimento do caminho a seguir por ele possa ser encontrado através das próprias respostas.

Contra: Põe a mão na massa quando não deveria

É interessante ter um líder que participa dos processos com interesse de contribuir para o alcance dos resultados. Porém, ao fazer isso, acaba por desprover sua equipe de técnicas e orientações adequadas, além de consumir tempo que poderia ser aplicado para a realização de novos projetos, levando assim a equipe ao fracasso. “Isso torna-se um círculo vicioso, cada vez mais o gestor sentirá a necessidade de se envolver nas realizações da sua equipe à medida em que a deixará, por falta de tempo, desprovida de orientações e estratégias para seguir seu rumo de forma independente.”

Pró: Permite a atuação individual dos membros da equipe

O líder “gente boa” não está preocupado em atuar sozinho com medo de que alguém o supere. Ele sabe encorajar o desenvolvimento de soluções criativas e potencializar o poder individual de seus liderados dando espaço para que atuem de forma mais independente. “Um dos segredos que levam um gestor a obter bons resultados é focar nos pontos fortes da sua equipe, desenvolvendo-os e aprimorando-os para que passem a usá-los com maestria e excelência”, explica o especialista.

Contra: Assume o controle sempre que um antigo contato dele aparece

Se o líder chegou até esse cargo após conquistas e eficiências nos resultados, é possível que por um período ele ainda foque sua energia nas pessoas com as quais construiu um bom relacionamento no passado e que o proporcionaram ter a experiência necessária para chegar onde chegou. “Não que um gestor não deva manter contatos, mas muitos acabam por não se dar conta de que a função número um do líder passa a ser preparar seus liderados para que conquistem seus próprios resultados”, explica Lacava.

Pró: Conhece quais são as habilidades de seus liderados

“Quanto mais você estiver ciente das forças e fraquezas, assim como os talentos e habilidades da sua equipe, mais efetivo será sua gestão”, explica Lacava. Por isso, conhecer cada liderado e saber como funciona o desenvolvimento de suas habilidades permite regular a pressão necessária a ser imposta. “Isso os ajudará a conquistar mais e melhores resultados e os manterá motivados e felizes com suas conquistas”.

Comentários

comentários

Desde 1998 p&n é uma plataforma de conteúdos referência em Gestão de Pessoas e mundo do trabalho. Tanto nas versões web e impressa, com sua linha editorial independente, é focada na melhor entrega de informações e serviços para os profissionais de RH.

curte com a gente!

© 2017 Revista Profissional & Negócios. By Rockbuzz | Estratégia Digital

TOP
Web Analytics